Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006

Notas Soltas - Janeiro/2006

União Europeia – Vinte anos após a adesão, Portugal vive hoje, apesar do difícil momento económico – pesem as lamúrias, rancores e ressentimentos –, num patamar de bem-estar de que estaria arredado se estivesse «orgulhosamente só».


 


Cáceres Monteiro – A morte do grande jornalista e enorme repórter deixou a comunicação social e o país mais pobres. A integridade e a cultura fizeram dele um cidadão moral e intelectualmente exemplar.


 


Ariel Sharon – O fim do ex-terrorista e antigo falcão, que o exercício do poder mudou, privou Israel de uma figura capaz de travar os ímpetos sionistas e impedir a sanha belicista da direita religiosa.


 


Adelino Salvado – O arquivamento do processo contra o ex-director da PJ, por «acto de grande imprudência, incompreensível em face da categoria profissional [do réu] e do cargo», não prestigia a Justiça e é amargo e intolerável para Ferro Rodrigues.


 


Espanha – O PIB espanhol de 2005 coloca o país entre as sete maiores potências mundiais, um feito para que contribuíram os anteriores governos do PSOE e PP mas que premeia o actual primeiro-ministro, audaz, competente e empreendedor.


 


Jose Mena – O general espanhol, chefe do Exército, fez uma arenga golpista a pretexto do estatuto da Catalunha. Resquício do franquismo, o militar era já um erro de casting na Espanha moderna e democrática. A demissão foi um acto de sanidade.


 


Alemanha – A chancelerina Angela Merkel continua a surpreender. Condenou Guantánamo e prometeu confrontar Bush com a prisão onde se infringem os direitos humanos, pratica a tortura e se atropela a civilização.


 


Escutas telefónicas – Se altas figuras do Estado foram escutadas, sem motivo aparente, urge saber quem ordenou, que juiz o consentiu e que razões invocaram para o atropelo que traz no ventre o regresso manso do fascismo.


 


Chile – A vitória presidencial de Michelle Bachelet, mulher, divorciada e ateia, presa e torturada pelo Governo de Pinochet, foi uma pesada derrota da direita e um revés para o poder da Igreja católica.


 


Iraque – Gorada a tentativa de eliminar armas de destruição maciça, inexistentes, os EUA prometeram democratizar o Médio Oriente – o que tem petróleo –, e acabaram por fazer das eleições uma ficção democrática e do julgamento de Saddam um simulacro pífio.


 


Crucifixos nas escolas – Além de ilegal é tão ilógico como o busto da República nas Igrejas. Foram introduzidos por Salazar (Lei n.º 1: 941 Base XIII D.G. N.º. 84 – I Série de 11-04-1936). Respeito a posição diferente do director do «Praça Alta».


 


Igreja anglicana – A sagração de mulheres, como bispos, afasta o anglicanismo do catolicismo onde a hostilidade à igualdade entre os sexos se assemelha à de Maomé pelo toucinho.


 


Eleições presidenciais – A vitória de Cavaco, à primeira volta, foi uma derrota pesada da esquerda, em especial para o PS, agravada pela vitória de Alegre sobre Soares.


 


Cavaco Silva – O êxito da sua candidatura, para além da meticulosa campanha que há anos estava em curso, é uma grande vitória pessoal que aqui se saúda, apesar da decepção pessoal e da apreensão com o desvio do centro de gravidade político.


 


PSD e CDS – A distância exigida por Cavaco Silva e o discurso de vitória põem os líderes em dificuldades, com militantes divididos entre Belém e os partidos. À direita do PCP avizinha-se um terramoto a que nenhum partido está imune.


 


Guantánamo – A aplicação da pena de morte a prisioneiros que foram privados dos mais elementares direitos, é mais uma acha na fogueira que consome o respeito e a consideração pelos EUA cuja crueldade e a barbárie se assemelha à dos terroristas.


 


Bolívia – A eleição do socialista Evo Morales é outra derrota da política externa dos EUA e a consequência do desespero e miséria do seu povo. Não bastam a utopia e o ódio a Bush para salvar o País, mas é a esperança que renasce.


 


Palestina – A vitória do Hamas alterou a correlação de forças no Médio Oriente, «legitimou» o terrorismo e estimulou o islão radical. EUA, Europa e a própria Fatah não digerem o triunfo de quem recusa a democracia e cujo único programa é a imposição da sharia e a erradicação de Israel.


 


CDS/PP – A totalidade da bancada parlamentar, doze deputados, inferior ao número de potenciais eleitores, é afecta a Paulo Portas. O antigo líder aguarda o regresso enquanto o actual se esforça por sobreviver e o partido desaparece.


 


PSD – A vitória presidencial de Cavaco Silva começou a corroer o seu partido de origem. António Borges debita lugares-comuns na comunicação social e Passos Coelho já abandonou o barco.


 


 


Monumento ao 25 de Abril em Almeida – A reunião com a Câmara, que não se realizou em Dezembro, por desacerto entre os elementos da Comissão Promotora, teve lugar em Janeiro, de forma franca e empenhada, o que augura a breve ultrapassagem de longos e sucessivos insucessos. 

publicado por Praça Alta às 23:44
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

Exposição “25 Sítios Arqueológicos” em Almeida ( 31/01 a 12/02)

ALD.gif

Almeida é a 18ª paragem da itinerância da mostra "25 Sítios Arqueológicos da Beira Interior". Esta exposição, organizada pela ARA - Associação de Estudo Desenvolvimento e Defesa do Património da Beira Interior, vai estar patente no posto de Turismo entre 31 de Janeiro e 12 de Fevereiro. Como sugere o nome, a iniciativa apresenta as principais estações arqueológicas dos distritos da Guarda e Castelo Branco. O município raiano está representado por Castelo Mendo, uma investigação de Manuel Sabino Perestrelo. Mas há mais património, como o Castelo de Longroiva e o Templo Romamo da Civitas Aravorum (ambos da Mêda), a par do Prazo (Foz Côa), Vale do Côa, Torre de Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo) e Moreira de Rei (Trancoso). Igualmente representadas estão as estações de Vilares (Trancoso), S. Gens (Celorico da Beira), Calçada dos Galhardos (Gouveia) e o Sabugal Velho (Sabugal). O mais representativo do distrito de Castelo Branco está em Centum Cellas (Belmonte), Templo Romano de N. Sra. das Cabeças (Covilhã), Torre dos Namorados (Fundão) e Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova), entre outros.
publicado por Praça Alta às 11:22
link do post | comentar | favorito
Domingo, 29 de Janeiro de 2006

Junta de Freguesia, entrega prémios aos melhores alunos de 2004/2005

Untitled-2 copy.jpg

Contando com o peça de teatro "Auto da Barca do Inferno" e a actuação do Coro Etnográfico de Almeida, decorreu hoje, domingo, a entrega dos prémios aos melhores alunos do 4.º ano e do 12.º ano da freguesia de Almeida, relativos ao ano lectivo 2004/2005 e patrocinada pela Junta de Freguesia de Almeida
O prémio para os melhores do 4.º ano, foi para o João Soares e para a Inês Correia, que assim irão receber um subsído para livros e material escolar para o corrente ano lectivo. O prémio foi entregue pela professora D. Conceição Russo Vieira, que acompanhou os alunos no seu percurso escolar do 1.º Ciclo.
Relativamente ao 12.º ano, o vencedor foi Fábio Cabral Pereira que se encontra a frequentar o curso de Ciências Farmacêuticas e que teve a melhor média do Ensino Secundário em 2004/2005. O prémio foi entregue pelo Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Almeida, Dr. António Abrantes Saraiva, à mãe do contemplado que não se encontrava presente devido aos seus afazeres escolares.
Segundo as palavras do Presidente da Junta de Freguesia, estes prémios, mais do que um brinde aos comtemplados pretendem servir como incentivo, para que todos os alunos da freguesia de Almeida se empenhem cada vez mais nos seus estudos.
publicado por Praça Alta às 22:48
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

Teatro de Gil Vicente no Auditório Municipal

almeida.gif

No próximo domingo, dia 29, os almeidenses poderão assistir à peça de teatro "AUTO DA BARCA DO INFERNO", uma adaptação da obra de Gil Vicente a cargo do Grupo de Teatro NOÉMIO de Vila Fernando.
O espectáculo, a realizar no Auditório Municipal, é uma organização da Junta de Freguesia de Almeida em colaboração com a Câmara Municipal e o INATEL e, para além de contar também com a participação do Coro Etnográfico de Almeida, serão entregues os prémios aos melhores alunos do 4.º ano e do 12.º ano da freguesia de Almeida do ano lectivo de 2004/2005. Este prémio, há já vários anos vem sendo atribuído pela Junta de Freguesia de Almeida.
publicado por Praça Alta às 18:11
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006

A mesquinha ditadura




(cortesia de M. Maça)



Para além dos crimes, exílio, prisão, desterro, torturas, fome, guerra e perseguições, há na ditadura de Salazar uma dimensão ridícula capaz de matar por si.

A Ordem de Serviço N.º 3490 da Caixa Geral de Depósitos Crédito e Previdência, de 30 de Julho de 1931, é uma metáfora do país «pobrezinho mas honrado», do Portugal rural, analfabeto e beato, moldado pelo ex-seminarista e dirigente do C.A. D. C., de Coimbra.

Há um país esquecido nos despachos ministeriais, Ordens de Serviço dos organismos públicos, discursos dos ministros, homilias do cardeal Cerejeira e na correspondência oficial, cheia de

VV. Ex.as

e

A Bem da Nação.
publicado por Praça Alta às 01:32
link do post | comentar | favorito
Sábado, 21 de Janeiro de 2006

A primeira comunhão (crónica)

Meio século depois vêm-me à memória as doces catequistas da minha infância. A menina Aurora e a sua Tia Ricardina ambas solteiras de muitos anos e beatas de quase tantos outros. Lembro-me do fervor com que me ensinaram a odiar os judeus porque mataram Cristo, os maçons porque perseguiam a igreja e os comunistas porque eram ateus. Recordo o entusiasmo que punham nas orações para que Deus iluminasse os nossos governantes e lhes desse longa vida, apelos ouvidos no que diz respeito à segunda parte.

Nas aulas de doutrina explicavam-me a cor do firmamento, ao pôr do sol, como sendo o sinal de que os comunistas iam matar os cristãos, conforme a Irmã Lúcia tinha revelado, e eu, tão estúpido, que não deixava de ser cristão, com maior medo do Inferno e das suas labaredas, onde apenas se ouviam gritos e ranger de dentes, do que da morte que os ditos comunistas me preparavam.

Penso que era o medo da revelação do 3.º segredo de Fátima que me toldava a razão e me deixava manietado para outras reflexões. Sabia que Deus estava muito zangado, do mesmo modo que toda a gente o sabia, por ouvirmos dizer, bem entendido, e que devíamos rezar o terço para lhe aplacar a ira contra os que não eram crentes mas, não sei porquê, quem pagava éramos nós, talvez por Ele não ter jurisdição nos que não acreditavam, mas isso não podia ser porque Deus era omnipotente, eu só não percebia a obsessão da nossa parte em assumirmos culpas alheias e fazer pagamentos por conta, o motivo de termos de expiar os pecados alheios, isso na época não me admirava, havia muita solidariedade, eram grandes os sentimentos que nos animavam e nobres as devoções. Assim salvássemos a nossa alma de ser frigida no azeite das profundezas, combustível de sabor mediterrânico que alimentava os meios de produção da eterna justiça a cujo suplício estavam destinados os condenados.

Valia-me a certeza de fazer parte dos poucos, poucos é a gente a falar pois na aldeia eram todos, que podiam aspirar à bem-aventurança eterna. A nossa religião era a única que conduzia à salvação, todos os outros estavam errados e faziam muito mal em não se converter. A Santa Madre Igreja, Católica, Apostólica, Romana, estava aberta, nunca compreendi como é que podia haver quem se negasse à conversão e ao caminho da santidade que lhe eram oferecidos, como é que alguém podia duvidar de que o papa fosse o sucessor de Pedro e o representante de Cristo na Terra e os Senhores Bispos os sucessores dos Apóstolos! Como era possível que os judeus se não arrependessem de ter assassinado Jesus e persistissem no erro, que os moiros teimassem em permanecer infiéis, vá-se lá perceber a razão de ser mais fácil persistir no erro do que aceitar a salvação. Era tão difícil o entendimento, sobretudo a quem não conhecia a outra parte, e ainda bem, pois era dever de um cristão converter os outros ou, se eles o não quisessem, usar meios adequados para livrá-los do erro.

Por sua vez o Sr. Padre, depois da me ter examinado e aprovado no exame da catequese, declarou-me em condições de iniciar os preparativos para a primeira comunhão. De novo as catequistas se encarregaram de me preparar para a desobriga que a precedia. Foi durante a confissão que, genuflectido, depois de uma oração preliminar, me convidou a contar-lhe os pecados. Esforcei-me por recordar as vezes que tinha posto o dedo na malga da marmelada sem saber se de um só pecado, repetido, se tratava ou de tantos quantas as incursões no vaso onde se guardava uma guloseima castanha e muito doce à espera de tentar a criança. Dava voltas à memória para saber se tinha alguma vez mentido, se tinha maus pensamentos – e isso tinha –, pensava em partir o pião de um colega acertando-lhe com o ferrão do meu, se tinha pecado por palavras ou obras, indiscutível matéria de reflexão e arrependimento, pois eu conhecia palavras feias que não cabia a um cristão pensar e muito menos pronunciar. Mas não era disso que cuidava o Sr. Prior na longa confissão, que eu entendi como proporcional à dimensão dos pecados ou, na melhor das hipóteses, como deferência para com o filho da Sr.ª Professora, mas eu não pensava nesta possibilidade, pois as crianças não são sensíveis à deferência nem à divisão em castas. O reverendo cuidava saber se eu praticava o pecado solitário, maldade de cujo ensinamento o medo que as outras crianças tinham da professora me havia até então livrado, e, perante a minha ignorância, preveniu-me piedosamente por antecipação, antes é que vale a pena não é depois do mal feito, preveniu-me – dizia – dos riscos da cegueira a que podia conduzir-me esse pecado, risco que me afligia bastante, bem como da tuberculose que, apesar da gravidade à época, eu não estava em condições de avaliar.

Perguntou-me ainda se eu fazia marranices, palavra com que acabava de me enriquecer o léxico, o que me deixou perturbado por ser um pecado que eventualmente eu cometesse sem saber, possibilidade de elevado grau de probabilidade pois aos pecados confessados não fora dada importância e aos pecados desconhecidos era dada uma particular e desvelada atenção, aumentando-me a ansiedade e sentimento de culpa, tanto maior quanto mais profunda era a minha ignorância. Explicou-me que o dito pecado era pôr-me em cima das raparigas e fazer zumba, zumba, zumba... e ficou ali a repetir a palavra algum tempo, como se tivesse esquecido o que estava a dizer, até recuperar a tranquilidade e ter-me mandado rezar o acto de contrição, que eu tinha na ponta da língua, completamente desinteressado já dos pecados de que eu carecesse de aliviar-me para salvação da alma.

Levei de penitência uns tantos pai-nossos e ave-marias, coisa de pouca monta, que me levou a acreditar que os pecados não eram tão pesados nem difíceis de expiar como eu tinha imaginado. A penitência foi cumprida nessa noite, antes de adormecer, ansioso pela chegada da meia-noite, hora canónica a partir da qual não podia tomar qualquer alimento sólido ou líquido antes da comunhão onde ia receber pela primeira vez o corpo de Nosso Senhor que, não sei como, cabia numa rodela finíssima de pão ázimo sem fermento nem sal, ainda por cima partida em pedacinhos de que só me coube uma insignificância, de paladar péssimo, que não podia tocar com os dentes, não fosse morder o Senhor, e aquilo colou-se-me ao palato e eu tinha medo de levar lá a língua que podia incomodar Nosso Senhor, que devia ser muito susceptível, e eu a debater-me com aquele pedacinho de farinha que teimava em não se desfazer, mais parecia borracha com cola, mas que eu bem sabia que tinha um alto valor nutritivo como alimento da alma, embora me não desse conta, mas disso estava prevenido pela menina Aurora e pela sua Tia Ricardina, bem como pelo Sr. Prior que na véspera veio pela segunda vez examinar-nos e confirmar a nossa preparação para recebermos Nosso Senhor. Quem não estivesse preparado não era digno, eu era, por ser o melhor aluno da catequese, mas pareceu-me que os menos preparados se deram melhor com a sagrada partícula de que se aliviaram mais cedo do que eu e, de qualquer modo, não tinha havido reprovações.

Não sei se a comunhão purificou a alma, mas sei que estimulou o apetite. Foi com uma fome imensa que assisti ao fim da cerimónia da santa missa sem me dar conta que a gula, que começava a devorar-me, era obra do demo que aguardava, para tentar-me, provavelmente possesso, se é que o demónio pode estar possuído dele próprio, ou talvez desesperado na luta quotidiana entre o bem e o mal, qual lutador que não se resigna a atirar a toalha ao ringue, mesmo quando o combate é desigual, quando a alma se tonifica pela oração, penitência e comunhão que são poderosos demonífugos que obrigam o mafarrico a redobrados trabalhos para não perder a quota de mercado a que se julga com direito.

Antes de correr para casa em busca de vitualhas com que pudesse saciar a fome de dezasseis horas de jejum não me esqueci de me persignar, depois de ter molhado de água benta os dedos, mergulhados na pia de pedra que saía da parede ao lado da porta da igreja, água que, apesar do aspecto, pelas propriedades intrínsecas, havia de ser um poderoso desinfectante para as moléstias da alma e um profiláctico precioso para as tentações que o demo, na sua permanente vigilância e incansável dedicação ao trabalho, não deixaria de fazer.

E eu conhecia o segredo da água benta por tê-la visto preparar pelo Sr. Padre que se paramentou de propósito e transformou um cântaro de água vulgar na dita água benta através das modificações induzidas pelas rezas que acompanharam os sinais cabalísticos, cruzes imaginárias desenhadas no ar, por cima do dito cântaro, enquanto alguns garotos seguíamos com o olhar os tais sinais para ver quando se dava o salto dialéctico, isto é, a mudança da quantidade em qualidade, ou seja a mudança da água vulgar em benta, sem sabermos ao tempo o que era isso de salto dialéctico, mas sabendo reconhecer a diferença entre uma e outra, o que era muito mais importante para a eternidade a que não podemos fugir, e bem mais decisivo para a salvação da alma, que estas sociedades modernas querem fazer crer tratar-se de anacronismo, mas que não é, que o diga a Irmã Lúcia que na opinião do Prof. João César das Neves é uma intelectual que os outros intelectuais, que o não são, não aceitam, por arrogância ou despeito, por não terem sido chamados à santidade, vá-se lá saber o motivo, o Professor também não explica lá muito bem, mas sabemos que tem razão, pois até já escreveu vários livros e foi consultor do Prof. Cavaco e não se cansa em meios bastante hostis de alertar para a salvação que hoje, tal como no meu tempo de criança, devia ser um objectivo primordial, mas as pessoas estão menos interessadas no que diz o Papa que nos livrou do comunismo do que na Televisão, que só diz mentiras, e no que afirmam os políticos que são todos uns corruptos e mentirosos que dizem coisas diferentes do que vem na santa Bíblia e, por isso, não podem dizer verdades, e só falam no bem estar material, como se o bem estar material interessasse alguma coisa, como se a alma não fosse o bem mais precioso que as pessoas têm, mas, enfim, estamos a chegar ao fim do mundo e as pessoas não acreditam, a mensagem de Fátima é bem explícita, mas as pessoas não a compreendem, nem sequer compreenderam Sua Santidade quando anunciou o terceiro segredo, mesmo os peregrinos estavam desatentos e não compreenderam, vá-se lá pedir aos outros que compreendam, para isso é preciso ter sido tocado pelo dom da fé que cada vez falta mais, bem pode esforçar-se Nosso Senhor, se os homens não quiserem, depois não digam que não foram avisados.
publicado por Praça Alta às 17:45
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006

Soares e Cavaco

Soares e Cavaco




À medida que as eleições se aproximam, aumenta a agressividade enquanto o discernimento e o bom senso minguam.

Não está em causa a liberdade, só o sua qualidade. Não se teme a tirania, apenas os contornos da democracia. Não se discute a Constituição da República, apenas o entusiasmo no seu cumprimento.

Há, claro, candidatos mais e menos fiáveis. No meu ponto de vista, o candidato da direita é o que tem perfil mais autoritário, capaz de interferir no Governo, gerar instabilidade e criar condições para que Sócrates não acabe a legislatura.

Claro que é apenas a presunção baseada no comportamento de Cavaco Silva, o receio fundado em sinais, a desconfiança em relação a quem, há muito, manifestou vontade de querer António Borges a liderar o PSD. O desaparecimento dos partidos que o apoiam é já um acto de submissão pouco compatível com uma democracia adulta.

Cavaco Silva é um homem sério, incapaz de violar a Constituição, mas demasiado impetuoso para permitir que o seu próprio partido siga livremente o seu caminho.

Ao ter criado expectativas que não é capaz de cumprir, só pode contribuir para debilitar os partidos num país onde o autoritarismo e a tradição antidemocrática ainda se fazem sentir.

Como dizia José Miguel Júdice, personalidade destacada do PSD, Jorge Sampaio criou o paradigma correcto de presidente da República. De todos os candidatos, na minha opinião, é Cavaco quem mais se afasta do padrão desejável e Mário Soares o que mais se aproxima.

O que os portugueses decidirem no dia 22 é o correcto. Mas, apesar da luta desigual que travam os diversos candidatos, espero que haja uma segunda volta para uma reflexão mais serena.

Há anos que Marcelo Rebelo de Sousa fez da televisão uma tribuna de propaganda ao candidato que lidera as sondagens. Não foi um exemplo de civismo nem de ética democrática.
publicado por Praça Alta às 18:42
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2006

Eleições presidenciais - A bom entendedor...

Muitos já se esqueceram do PRD, o defunto partido feito à medida da ambição de Ramalho Eanes, servido pela voz beata da D. Manuela Neto Portugal, esposa do sorumbático general que aguarda agora o bastão de marechal das mãos de Cavaco Silva.

O PRD nasceu do populismo contra os partidos. Quem ganhou com o logro foi o PSD. Nasceu à esquerda do PS e desaguou à direita. Nasceu na sacristia e morreu na sarjeta.

Foi num momento parecido com o actual. O PRD esvaziou-se pela falta de preparação política do seu mentor, alheamento dos que aderiram de boa fé e pelo oportunismo dos que transitaram com armas e bagagens para o combóio cavaquista que passava.

Eanes foi, entretanto, doutorar-se à Universidade de Navarra, um doutoramento que convém à Universidade, que liga o seu nome a um presidente da República eleito democraticamente, quando o Opus Dei, a quem pertence, tem um passado obscuro de cumplicidade com as ditaduras.

Quando a esquerda se pulveriza, alenta-se a direita, empobrece a democracia e o futuro colectivo torna-se mais incerto para Portugal.

É estreita a vereda onde viajam algumas das melhores referências democráticas da nossa história recente. O desastre consuma-se quando alguém circula sem prudência ou não consegue travar a tempo.
publicado por Praça Alta às 20:05
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2006

Atletismo em Almeida

atletismo copy.jpg

As inscrições para a prova a realizar no dia 21 de Janeiro devem ser efectuadas directamente para a Delegação do Inatel da Guarda, ou para o telefone ou fax da mesma delegação.
publicado por Praça Alta às 23:10
link do post | comentar | favorito

"Modas François" ganha concurso de montras

blogm.jpg

Na cerimómia realizada ontem, dia 8 de Dezembro, foi anunciado o vencedor do Concurso de Montras de Natal, organizado pela Câmara Municipal em colaboração com a Associação Comercial de Almeida e Coordenação Educativa da Guarda. O 1.º prémio foi para as montras da loja "Modas François" de Vilar Formoso, o 2.º Para a Florista "Casa Barata", de Almeida e o 3.º para o Bar da Junta de Freguesia de Amoreira. Ainda uma menção honrosa para o trabalho do Bufet da Escola EB 2,3 Dr. José Casimiro Matias.
Os prémios foram entregues durante o Encontro de Coros de Almeida, que contou com o presença do Coral Polifónico de Vilar Formoso, Orfeão de Manteigas e Coro Etnográfico de Almeida (Orfeão e Grupo de Cantares).
publicado por Praça Alta às 23:01
link do post | comentar | favorito
Sábado, 7 de Janeiro de 2006

Cabala ou conspiração?

Um Governo não precisa de violar o segredo de justiça para assassinar politicamente um adversário. Basta colocar um magistrado de confiança à frente das Polícias.

Quando Celeste Cardona se bateu na Assembleia da República pela nomeação de Adelino Salvado para a PJ muitas vozes protestaram, mas o respeito que é devido a um juiz não permitiu maior contestação.

Quando o referido magistrado, digo, director-geral se babava de gozo a revelar aspectos do processo Casa Pia a um jornalista do Correio da Manh㠖 porque a simples alusão ao nome de Ferro Rodrigues era já suficiente para o liquidar –, impedia-me o respeito pelos juizes de acreditar.

O Conselho Superior da Magistratura decidiu, por maioria, o arquivamento do processo, limitando-se a censurar um «acto de grande imprudência, incompreensível em face da categoria profissional e do cargo [do prevaricador]». Todavia, não violou o segredo profissional pois «não podem qualificar-se como infracção disciplinar meras conversas mantidas em privado com um determinado jornalista...».

Nem sei mesmo a que se deveu a censura ao Sr. Conselheiro. Devia ter sido louvado.

Ferro Rodrigues viu a sua carreira política destroçada e o seu carácter assassinado. A impunidade fica à solta. Adelino Salvado poderá ser um futuro ministro, à semelhança do que sucedeu a Fernando Negrão. Ferro Rodrigues arrastará o ferrete da ignomínia sem que se conheçam os crápulas responsáveis.

Um país que não se revolta contra actos de indignidade é uma pátria que morre sem cidadãos, um local mal frequentado, um covil de pulhas.

Fonte da decisão do SCJ: Expresso, hoje.
publicado por Praça Alta às 22:40
link do post | comentar | favorito

.Contactos

Associação dos Amigos de Almeida, Apartado 5 - 6350-909 ALMEIDA pracaalta@gmail.com

.AVISO

Neste BLOG existe moderação de comentários. Não serão publicados QUAISQUER comentários de ANÓNIMOS ou DESCONHECIDOS.

.Visitantes


Free Counter

.Posts Recentes

. Cerco de Almeida 2016

. Cerco de Almeida 2016

. "PRAÇA ALTA" - edição de ...

. Praça Alta 238 - setembro...

. CERCO DE ALMEIDA - O PROG...

. O CERCO DE ALMEIDA

. Recriação do CERCO DE ALM...

. Praça Alta de novembro - ...

. Praça Alta n.º 227 - sete...

. Praça Alta n.º 226 - julh...

. Praça Alta nº 224 - maio...

. Praça Alta de abril - ver...

. Praça Alta de março - n.º...

. 16 de março - IX Festa do...

. Praça Alta n.º 221 - ediç...

.LINKS

.Arquivos

. Julho 2016

. Novembro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Novembro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Julho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

blogs SAPO
blogs SAPO

.subscrever feeds