Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005

Notas Soltas - Setembro/2005

Iraque – Depois dos falsos pretextos para a agressão, o fracasso dos objectivos foi ainda pior para a credibilidade dos invasores e trágico para os invadidos. Tudo o que podia correr mal, corre diariamente mal e da pior maneira.


EUA – A agravar a tragédia que o furacão Katrina levou a Nova Orleães, somou-se a inépcia e incúria da administração Bush para enfrentar a catástrofe, limitar a dimensão e reduzir o número de vítimas, quase sempre negras e pobres.


Tempestades tropicais – Cientistas atribuem o aumento, em número e violência, ao aquecimento do oceano Atlântico que, a partir dos 270, cria humidade suficiente para favorecê-las, mas os EUA desprezam o protocolo de Quioto e o aquecimento global.


Al-Qaeda – Os fanáticos que perpetraram o atentado de Londres, e muitos outros, são terroristas que constituem o braço armado de um Deus que urge combater para salvar a civilização.


Festa do Avante – A organização, entusiasmo e bom gosto fazem deste evento um momento raro de cultura e boa propaganda do PCP. É pena que outros partidos não tenham a mesma capacidade organizativa e mobilizadora. 


Empresas públicas – A moralização e transparência das remunerações e regalias acessórias dos gestores é uma decisão inédita e irrecusável perante as medidas de contenção que afectam a generalidade dos portugueses.


Francisco Vilar – A mudança para Almeida deste sacerdote católico é uma boa notícia. É um democrata de antes do 25 de Abril, um cidadão exemplar, que enfrentou a ditadura e arrostou com a animosidade do bispo de então. Bem-vindo padre Chico.


Noruega – Na sequência da vitória eleitoral da esquerda, demitiu-se o Governo de direita, como é natural em democracia.


Chile – Foram apuradas as responsabilidades pessoais de Pinochet em vários crimes cometidos pelo seu regime terrorista bem como os negócios em que se envolveu. Assassino e ladrão, acaba a vida humilhado, depois de ter perdido a im(p)unidade.


ONU – A Assembleia Geral fracassou, sem as reformas «globais e básicas» desejadas por Kofi Annan. Assim, ficam mais frágeis a paz, os direitos do homem e o desenvolvimento dos povos que, ao longo de 60 anos, a ONU se esforçou por preservar.


Vaticano – Bento XVI recebeu Bernard Fellay, líder da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X, com a prévia aceitação do fim da excomunhão. A sedução pela extrema-direita é uma marca deste pontificado que o encontro com o teólogo Hans Küng não disfarça.


Irão – A insistência no programa nuclear por um país dirigido pelo clero, é uma ameaça acrescida e um motivo adicional de inquietação para quem sabe do que é capaz o fanatismo religioso.


Alemanha – As medidas de austeridade do chanceler G. Schroeder alienaram eleitores mas a direita recuou. Criou-se um impasse e Angela Merkel sofreu um amargo dissabor. Os alemães recearam demasiado a direita CDU/CSU para lhe dar a maioria.


Simon Weisenthal – Morreu aos 96 anos o célebre judeu austríaco, «caçador de nazis», sobrevivente de campos de concentração, que dedicou a vida a organizar um centro de documentação e a procurar criminosos que entregou à justiça. Mais de 1.100.


Mário Soares – Coragem, lucidez e cultura fazem dele um caso singular. Nos últimos dez anos pronunciou-se sobre todos os grandes temas. Não se refugiou em silêncios, não se escondeu, condenou a invasão do Iraque e previu as consequências.


Cavaco Silva – É falta de respeito pelo eleitorado a manutenção do tabu, deixando aos vassalos do costume e aos arrivistas de ocasião que lhe façam a campanha sem o ónus de se expor. A atitude não dignifica o lugar que todos sabem que disputará.


Manuel Alegre – A insistência na candidatura presidencial de um dos maiores lutadores contra o fascismo é, nas actuais circunstâncias, um acto quixotesco que abre feridas no PS e prejudica a candidatura de esquerda.


Autárquicas – A possibilidade de vitória de candidatos a contas com a justiça e, num caso, já condenado a pesada pena de prisão, é uma decepção para quem acredita no discernimento dos eleitores e na superioridade moral da democracia.


Polónia – A viragem à direita, de forma acentuada e radical, deixa um país mais céptico em relação à Europa, mais ressentido com a Rússia, mais subserviente ao clero e a sonhar com os EUA. É difícil a moderação depois de regimes autoritários.


Cascais – A mãe e os cinco filhos que arderam numa barraca do Fim do Mundo são uma trágica metáfora do Terceiro Mundo que persiste na parte de trás do luxo e ostentação de um concelho sofisticado e rico.


 


Monumento ao 25 de Abril em Almeida – O decurso de eleições autárquicas não é o momento certo para a decisão inevitável.

publicado por Praça Alta às 19:25
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005

Dia Internacional do Idoso - 1 de Outubro de 2005

Como dado adquirido através da deliberação da Assembleia Geral das Nações Unidas, via resolução 45/06, de 14/12/1990, ninguém se poderá dissociar e sobretudo reflectir, sobre a denominada 3ª Idade.

Sem ficar pela simples lembrança de mais uma "...efeméride...", mas sim dizer e praticar uma política social que diga que se está sempre ao lado dos Idosos, estejam eles com as Famílias, sejam eles "...utentes de Lares e Centros de Dia...", há que dizer presente àqueles que já há muito deram aos seus, e que ainda constituem uma mais valia.

Não nos lembremos dos Idosos só quando é o seu dia, ou ... quando convém; ELES SÃO parte da nossa sociedade, que muito tem que mudar, quer a nível Mundial, Nacional, e sobretudo a ... nível Local. Faça-se do dia 1 de Outubro de 2005, mais um dia de "alerta", e que os Idosos sejam tratados com a consideração que muito merecem. Para TODOS ELES, o meu maior apreço; fazem falta, hoje e sempre.

Para que se entenda melhor a dimensão desta temática, aqui ficam "alguns" dados (Concelho de Almeida):

- População Residente em 1991: 10.040 (Censos 1991)

- População Residente em 2001: 8.423 (Censos 2001)

- Variação da População Residente entre 1991 / 2001 (0 a 14 anos): - 41,5 %

- Variação da População Residente entre 1991 / 2001 (14 a 25 anos): - 35,7 %

- Variação da População Residente entre 1991 / 2001 (24 a 65 anos): - 15,7 %

- Variação da População Residente entre 1991 / 2001 (65 anos ou mais): 15 %

- Estimativa da População Residente em 2003: 7.926 (Estatísticas Demográficas do I.N.E.)

- Estimativa da População Residente em 2004: 7.784 (Estatísticas Demográficas do I.N.E.)

(MANUEL FORTE)
publicado por Praça Alta às 18:30
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2005

A direita e o ressentimento

A dolorosa e fracassada experiência governativa da direita, durante três anos e dois primeiros-ministros, tornou-a agressiva e ressentida, menos preocupada com os destinos do País do que com a desforra para a qual sabe não ter alternativa.
António Pires de Lima reconheceu em entrevista o que a direita sabe e diz em privado. Referindo-se ao Governo PSD/CDS chefiado por Durão Barroso, afirmou: «nós não estávamos preparados para governar». O que veio depois, pior só o dilúvio.
Esse truísmo banal, tautologicamente demonstrado, não foi interiorizado pela direita que vê a política como um duelo desportivo, com ressentimentos e tiques que são vulgares em doentes do futebol nas manhãs de segunda-feira.
É esse estado de alma, desalentado e pusilânime, que levou os entusiastas da calúnia, especialistas da difamação, a embrenhar-se em ataques cobardes que atingiram a honra de Ferro Rodrigues e quiseram chamuscar a de José Sócrates.
A política faz-se de forma vigorosa, entusiasta e empenhada, mas nunca com mentiras, trafulhice e conspirações. Em democracia a alternância é uma certeza e a pressa pode levar ao poder os piores, nas piores condições, com as piores consequências.
A direita podia e devia reflectir sobre os seus últimos Governos e o estado lastimável a que conduziu o País. Podia e devia fazer uma autocrítica pela deplorável situação em que deixa a cidade de Lisboa.
Em ambos os casos Marques Mendes retirou conclusões, afastando quem num e noutro cargo foi protagonista do descalabro e autor das maiores trapalhadas. Mas ao partido, ansioso por vitórias, não lhe interessa o futuro, só pensa no resultado do próximo jogo.
Foi assim que perdeu o último campeonato.
Não consegue resistir a estados de alma nas eleições autárquicas que se avizinham.
publicado por Praça Alta às 19:11
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Sábado, 24 de Setembro de 2005

Autárquicas/2005 - ALMEIDA

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Coloque aqui os seus comentários e opiniões para as Autárquicas no concelho de Almeida. Apenas apelamos ao respeito mútuo e à aceitação de todas as opiniões, independentemente do quadrante político de que vierem. Uma discussão séria pode levar a conclusões válidas. Reservamo-nos no entanto o direito de eliminar comentários ou opiniões que lesem direitos fundamentais de todos ou que utilizem linguagem menos própria.
publicado por Praça Alta às 12:55
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

A estratégia cavaquista

Convenhamos que há no tabu de Cavaco Silva uma dose de hipocrisia e uma falta de respeito pelo eleitorado que compromete a imagem de seriedade que tem vindo a construir com a ajuda dos vassalos do costume e os arrivistas de ocasião.


 


Ninguém duvida da candidatura, que se aplaude e deseja (imagine-se que poderíamos ter Santana Lopes como PR ou Valentim Loureiro como primeiro-ministro).


 


Não se põe em causa as qualidades e a capacidade para o desempenho do cargo. É bom para Portugal que sejam os melhores a disputar os mais altos cargos do Estado ( e não se vê no PSD melhor que Cavaco).


 


Refugiar-se no silêncio, quando há mais de um ano Marcelo lhe prepara a candidatura nos diversos canais televisivos onde debita a homilia semanal, com a máquina do PSD, por raiva e ressentimento, a exigir desforra das legislativas e a promovê-lo, é pouco honroso adiar a fuga ao contraditório.


 


Nos últimos dez anos apenas sabemos que foi contra a invasão do Iraque, que não nutre especial afecto por Durão Barroso e que Santana lhe causa brotoeja. É pouco para quem pretende submeter-se a sufrágio para o mais alto cargo da República.


 


Neste momento Cavaco Silva já sabe quantos cantos tem «Os Lusíadas» e já mastiga com mais subtileza as fatias de bolo rei. É tempo de aparecer.

publicado por Praça Alta às 00:08
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2005

Comissão Europeia




José Manuel Barroso

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, afirmou, esta segunda-feira em Bruxelas, que «a Europa precisa de uma Alemanha dinâmica para se reorganizar».

Uma declaração destas é um verdadeiro truísmo.

Durão Barroso (como é conhecido pelos autóctones) procura pressionar os dirigentes alemães para encontrarem, o mais rapidamente possível, uma situação estável.

Espera-se que o presidente da Comissão Europeia, depois do fracasso e abuso da sua participação nos tempos de antena de Santana Lopes, nas últimas eleições legislativas, em Portugal, nunca mais manifeste qualquer preferência pelas opções eleitorais dos Estados membros.

publicado por Praça Alta às 21:27
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Eleições alemãs

Eleições alemãs





Alemanha

O resultado das eleições legislativas na Alemanha são um verdadeiro quebra-cabeças para a formação de um governo e um enorme balde água fria para uma direita que pensava arrasar o SPD do chanceler Gerhard Schroeder.

O eleitorado está muito zangado (lá como cá) com as medidas de austeridade, mas desconfia demasiado dos partidos de direita CDU/CSU para lhes conceder a maioria.
publicado por Praça Alta às 21:25
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Sábado, 17 de Setembro de 2005

O candidato de Cavaco e Balsemão




António Borges

O primeiro-ministro desejado por Cavaco, já diversas vezes empurrado para a liderança do PSD com o apoio prestimoso do grupo IMPRESA, de Francisco Balsemão, dá hoje uma entrevista à Visão.

O homem deve ser um bom economista e um prestigiado professor, a avaliar pelas funções desempenhadas até hoje. Como político é medíocre e perderia a presidência de qualquer concelhia do PSD, excepto em concelhos rurais.

A reincidência com que aparece como D. Sebastião não ilude a imensa ambição e uma enorme falta de preparação. A entrevista, cheia de lugares-comuns, não representa um perigo para Marques Mendes.

António Borges revela estar à altura de gerir uma grande empresa mas falta-lhe talento para ser um político de primeira grandeza.
publicado por Praça Alta às 00:32
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Fátima e política



O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão é tão casca grossa que só pode ter saído da escola de civismo onde leccionam Alberto João Jardim, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres.

Na proximidade das eleições autárquicas, o pelouro de Acção Social da Câmara de Municipal, em articulação com as 49 juntas de freguesia, aliciou 10.200 idosos do concelho para participarem na eucaristia das 11H00, no próximo dia 17 de Setembro, em Fátima.

O evento terá lugar no Recinto da Oração e será presidido pelo Reitor do Santuário, Monsenhor Luciano Guerra.

A disponibilização de 196 autocarros para uma manifestação de carácter particular é um acto vergonhoso, politicamente pusilânime, que viola a ética republicana e assume contornos de fraude eleitoral.

Voltámos aos tempos de Fátima, futebol e fados.




Presidente da Câmara: Armindo Costa (PSD/CDS-PP) - Foto no canto superior esquerdo.
publicado por Praça Alta às 00:30
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2005

Greve dos juizes?

Salvo o respeito que é devido aos meritíssimos juizes, venerandos desembargadores ou excelsos conselheiros, respeito que a Associação Sindical de Juizes Portugueses (ASJP) se esforça por esbanjar, a ameaça de greve coloca-os ao nível de funcionários.

A bizarra ASJP defende interesses corporativos de juizes e coloca os seus filiados na delicada situação de ameaçar outro órgão igualmente legítimo – o Governo.

E se o Presidente da República, o Governo ou a Assembleia da República, que não merecem menos respeito nem detêm menor legitimidade, anunciassem uma greve?

Depois de o presidente do tribunal da Relação de Lisboa ter usado linguagem de almocreve e ameaçado agredir um jornalista, na TV, e de o juiz do multibanco ser indigitado conselheiro do Supremo Tribunal Constitucional (pelo CDS), já não se estranha a linguagem sindical do presidente da ASJP.

Alexandre Baptista Coelho é certamente um magistrado respeitável, mas avilta a função com ameaças ao Governo e lança a confusão entre o juiz que nos cabe respeitar e um sindicalista que condenamos, por defender privilégios injustos, imorais e indignos. Eis alguns exemplos:

- A extensão das férias;

- A aposentação por inteiro, em caso de doença, independente do tempo de serviço;

- As regalias que a equidade e as dificuldades orçamentais não consentem.

A contestação das decisões legítimas do Conselho de Ministros é um acto de rebeldia que compromete o respeito e a consideração que os juizes devem preservar.

publicado por Praça Alta às 13:55
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Domingo, 11 de Setembro de 2005

Recriação Histórica do Cerco de Almeida

DSCF1632.jpg

No próximo fim de semana (16,17 e 18 de Setembro), a Praça Forte de Almeida vai recordar o cerco de que foi alvo durante a 3.ª Invasão Francesa e que levou à sua destruição e capitulação.
Uma organização da Câmara Municipal com a colaboração da Associação Napoleónica de Portugal, vai permitir que os que se quiserem deslocar a esta Vila possam assistir a uma magnífica recriação e lembrar aqueles tempos em que Almeida era a Princesa da Beira e uma das Praças Fortes mais importantes de Portugal.
publicado por Praça Alta às 23:32
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Azinhal recupera antiga escola

azinhal.jpg

Fechada há já alguns anos por falta de alunos, a escola da freguesia do Azinhal, que além da "escola primária" albergou também a Tele-escola que tão importante foi em todo o País, apresenta agora o aspecto da foto, depois de ter sido totalmente recuperada. Um exemplo que tendo sido seguido já em outras freguesias do concelho, pode muito bem ser exemplo para alguns edifícios similares ainda abandonados. A Junta de Freguersia do Azinhal dispõe agora de um moderno e funcional edifício.
publicado por Praça Alta às 22:31
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Europa. Que modelo social?

eu_map.jpg


A Alemanha e a Polónia podem, a curto prazo, mudar a orientação económica no sentido de um liberalismo exaltado que, sobretudo no primeiro caso, pode levar à pasta das Finanças o juiz Paul Kirchhof que pretende converter numa «taxa única» as taxas progressivas que a justiça social, o tempo e o modelo europeu há muito consagraram.


 


A Polónia, com dificuldades de adaptação ao sistema democrático, hesita entre um modelo social-democrata e a aventura ultra-liberal. Avizinha-se a vitória dos populistas do partido da Lei e Justiça, coligados com a Plataforma Cívica, refúgio de militantes do desacreditado Solidariedade, cujo programa eleitoral preconiza igualmente a famigerada «taxa única».


 


O modelo social europeu, que a direita democrática tolerava, está em risco, com a senhora Angela Merkel, seduzida por Bush e a procurar imitar a senhora Thatcher.


 


Com o exemplo dos EUA e a ofensiva liberal do primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi que conseguiu afastar os elementos moderados do seu partido e vai levar avante a privatização dos correios nipónicos – um colosso empresarial que é também o maior banco mundial –, as preocupações sociais começam a ficar arredadas da agenda política dos governantes europeus. No dia de hoje o Japão está a sufragar a política liberal proposta e as sondagens à boca das urnas asseguram-lhe uma estrondosa vitória.


 


A transferência de empresas para paraísos onde a protecção social é precária ou inexistente, é um contributo para a submissão dos trabalhadores à violência da economia liberal chantageados pelo espectro do desemprego e pela cada vez maior facilidade dos despedimentos, a que os profetas do neoliberalismo chamam «flexibilização».


 


Nós, portugueses, atordoados com slogans e mal refeitos dos três desastrados anos de aliança do PSD com os destroços do salazarismo reunidos à volta de Paulo Portas, hesitamos entre o liberalismo desenfreado que a direita nos promete como Paraíso e uma tímida social-democracia de que o PS é o garante, depois de arrumar a casa que lhe deixaram hipotecada.

publicado por Praça Alta às 18:47
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Sábado, 10 de Setembro de 2005

Constituição Europeia

No princípio de Setembro, Durão Barroso declarou a um obscuro jornal polaco que, «num futuro próximo, não teremos constituição [europeia]». Pronunciando-se sobre matéria que não é, aliás, da sua competência, o presidente da Comissão Europeia disse o óbvio, que os líderes europeus no seu conjunto – os responsáveis – evitam admitir.


 


A comunicação social, ocupada com a tragédia de Nova Orleães e a fragilidade da América, ignorou a declaração. O silêncio dos líderes europeus é bem eloquente quanto à incapacidade para resolverem a situação.


 


O Tratado de Nice, que parecia esgotado e era dado como obsoleto, permanece como derradeira âncora a que os governantes europeus se agarram para evitar o fracasso da mais fecunda experiência colectiva do pós-guerra.


 


A rejeição francesa visou mais o próprio Governo do que a Constituição Europeia e reflectiu sobretudo o estado de espírito do eleitorado. Na Holanda os resultados foram influenciados pelo assassinato do cineasta Theo van Gogh e pelo terrorismo islâmico, com a consequente rejeição da adesão turca. Os referendos facilmente se transformam, de genuínos instrumentos democráticos, em oportunidade de punição ao Governo.


 


A experiência portuguesa mostra que o referendo é um meio pouco mobilizador do eleitorado, usado para manifestar estados de alma com alheamento dos objectivos para que foi convocado.


 


Vai ser difícil pôr de acordo o eleitorado de 25 países e fazer aprovar o tratado da Constituição Europeia, instrumento essencial para a integração política, aprofundamento da coesão e definição de uma estratégia europeia comum.


 


Só a conjugação de um ciclo económico favorável, líderes carismáticos e uma evolução positiva do sentimento de cidadania europeia, é capaz de permitir o salto em frente de que o velho continente carece para fazer frente às potências emergentes e rivalizar com os EUA de quem será aliado sem necessidade de ser satélite.

publicado por Praça Alta às 15:15
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2005

Dicionário político da fé

Abrilismo – Crença partilhada por todos os que se revêem no regime democrático e não esquecem que a liberdade viajou na coragem e determinação dos capitães de Abril.


Barrosismo – Culto sem crentes, apenas alguns clientes. Nasceu no aparelho de Estado, sem chama nem convicção e acabou em Bruxelas sem glória nem futuro.


Cavaquismo – Seita onde coexistem a nostalgia autoritária e o desejo de progresso. Os crentes julgam o ícone avatar de Sá Carneiro e não gostam de coligações. Muitos anseiam pelo seu regresso, mais unidos pelo ressentimento do que pela devoção.


Centrismo – Projecto de direita civilizada frequentado por beatos do fascismo e cépticos da União Europeia.


Comunismo – Utopia profetizada por videntes e outras pessoas de virtude que deu maus resultados e encheu de boas intenções o inferno do socialismo real.


Cunhalismo – Uma das mais desveladas e intensas devoções surgidas no Portugal de Abril, por respeito pelo taumaturgo e fascínio pela sua inteligência, cultura e coerência.


Eanismo – Honesta devoção que teve um tempo próprio e duração adequada – útil, moderada e fugaz.


Fundamentalismo – Pandemia perigosa. No Afeganistão destruiu o património, nos EUA impõe o criacionismo, na Arábia Saudita elimina as liberdades. O cristianismo gerou o Opus Dei, o islão a Al-Qaeda e o judaísmo os ortodoxos com tranças à Dama das Camélias. 


Gonçalvismo – São poucos os fiéis mas é ternurenta a devoção. Sem hipótese de se tornar culto oficial resiste como sinal de pureza num espaço de saudade em que as ideologias deram lugar ao pragmatismo e ao oportunismo.


Guterrismo – Projecto honesto e pio manchado pelos resíduos de uma fábrica de queijos e dissolvido nas águas revoltas de Entre os Rios. Uma devoção consolidada nos melhores 4 anos do século passado com a descrença a instalar-se nos dois anos seguintes.


Marcelismo – Degenerescência do salazarismo que converteu a PIDE em DGS, a censura em exame prévio e a ditadura num cadáver.


Marcelismo RS – Versão conciliada com a democracia, inteligente e culta, aparecida em momento errado e responsável por uma sucessão catastrófica. Reduziu-se à existência virtual através da telepregação dominical.


Monteirismo – Misto de populismo e sebastianismo. Culto praticado pelos que têm saudades muito antigas e ressentimentos demasiado recentes, com homilias públicas de amor à democracia e orações privadas pelo regresso ao passado.


Portismo – Espécie de cruzada moralista que terminou com a descoberta de esqueletos encontrados no armário do fundador (Paulo). Paira como espectro com medo do exorcismo cavaquista.


Sá-Carneirismo – Versão civilizada e aglutinadora da direita que entusiasmou fiéis e criou amanhãs de esperança nos remorsos do passado. Pereceu em Camarate nos escombros de um acidente que os crentes atribuem a anjos maus.


Salazarismo – Arremedo autóctone e rural do fascismo, não resistiu ao caruncho de uma cadeira e, muito menos, ao fim de um anacrónico império. Os fiéis são vistos como seguidores de um culto exótico, sem qualquer perigo ou necessidade de internamento.


Sampaismo – Sentimento difuso de fé, respeito e esperança. Catalisador de afectos e referência ética, garantiu o respeito pela Constituição e evitou desmandos e atropelos da exaltada dupla Santana/Portas.


Santanismo – Culto pelo ilusionismo que provoca Ah! Ah! nos homens e ais nas meninas. A versão feminina tem como paradigma a Lili Caneças. Três meses de Governo destruíram o mito. 


Soarismo – Culto antigo que vive do prestígio do ídolo e da fé dos crentes. Caracteriza-se por larga difusão em diversos quadrantes, pouca coerência ideológica, amplos afectos e ódios de estimação. Tem a última batalha aprazada para o início do próximo ano.


Social-democracia – Projecto político de esquerda cujo nome foi apropriado pela direita portuguesa para fazer esquecer a origem e confundir os crentes.


Socialismo – Culto social-democrata com roupagem de esquerda para alargar a base de apoio. Uma bênção quando tirado da gaveta.

publicado por Praça Alta às 01:25
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