Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

Notas Soltas - Agosto/2005

Arábia Saudita – Abdullah Bin al-Saud, governante de facto há uma década, é o delegado da oligarquia feudal da família Saud com 10 mil príncipes à espera de disputar a sucessão no país mais rico em petróleo e à beira da explosão do delírio islâmico.


Mauritânia – O presidente Ahmed Ould Taya saiu do país para ir ao funeral do rei Fahd e foi destituído, 20 anos após o golpe que o levou ao poder, por outro golpe. Os ditadores não podem afastar-se. Salazar só uma vez foi a Badajoz. E em segredo.


Terrorismo – A eficiência da polícia britânica na perseguição e desmantelamento de células terroristas é uma esperança no combate pela sobrevivência da civilização, mas não há benzina que desencarda a nódoa do brasileiro fuzilado no Metro.


Incêndios – Parece que há em nós uma vocação pirómana e uma incúria fatal que vai reduzindo Portugal sistematicamente a cinzas. Nos escombros de um país ardido há ainda lugar para a prevenção ou esta é a forma cruel de ordenamento do território?


Lisboa – Os desacertos entre Carmona Rodrigues e a distrital do PSD, presidida pelo impoluto deputado António Preto, denunciaram a oferta de lugares em empresas municipais e o lugar de provedor do munícipe para compensar afastamentos da lista. Uma vergonha PSD/PND/PPM.


Japão – Há 60 anos o terror dilacerou Hiroxima e Nagasáqui, cidades mártires do horror nuclear. A tragédia não vacinou a humanidade, o clube nuclear não cessa de crescer e os japoneses esqueceram a agressão imperialista que perpetraram.


Israel – A demissão de Benjamin Netanyahou, perante o desmantelamento dos colonatos, revelou um extremista que rejeita soluções políticas. Terá lugar destacado na alteração do xadrez partidário, inevitável se o processo de paz falhar.


Palestina – O Hamas ao anunciar que não renuncia à luta armada, após a devolução de Gaza e da Cisjordânia, altera a correlação de forças favorável à Palestina. Faz pelo seu povo o que Bush fez pelo dos EUA – atrair a hostilidade.


Pontal – A tentativa de reabilitar a outrora pujante festa laranja foi um fiasco. Os barões que atraem a clientela e os fregueses do costume só aprecem quando pressentem a iminência da vitória e a proximidade do poder. Tal como noutros partidos.


Luís Filipe Meneses – Está a preparar o ataque a Marques Mendes. Tem o apoio do pior que o PSD foi capaz de gerar, de Valentim Loureiro e Isaltino Morais a A. J. Jardim. É a política no seu pior, a apoteose da mediocridade.


Aeroporto da Ota – Não sei se a localização é a melhor, mas imagino o que teria sucedido se o avião que aterrou (mal) em Toronto se tivesse feito à pista em Lisboa e  ardesse no Campo Grande ou na avenida de Roma.


Ferro Rodrigues – O posto de embaixador junto da OCDE é um lugar digno para o antigo líder do PS, mas a tentativa de assassinato político de que foi alvo, por uma das mais ignóbeis canalhices de sempre, é um crime que não pode ficar impune.


Alemanha – A CDU, partido da Direita, com fortes hipóteses de uma arrasadora vitória, tem cometido gafes tão graves que já foi considerada a Direita mais estúpida da Europa. Nestas coisas, a comunicação social esquece Portugal.


Taizé – Roger Schutz, fundador da comunidade em 1940, foi assassinado aos 90 anos, enquanto rezava. O velho monge era defensor sincero do diálogo ecuménico e da paz. Perdeu-se um homem bom, às mãos de uma demente.


Colónia – A cidade alemã, de religiosidade reduzida, foi palco do primeiro banho de multidão a Bento XVI. A encenação correspondeu aos esforços de numerosas dioceses empenhadas no êxito do evento.


Crueldade – A OMS e a UNICEF afirmam que há 130 milhões de mulheres vítimas de mutilações genitais. A tradição justifica práticas atrozes. Egipto, Iémen e África sub-sahariana lideram a tradição e o número de mortes associadas.


Iraque – O projecto de Constituição prevê uma teocracia, institui a sharia, anula os direitos das mulheres, divide o País e prepara uma obscura ditadura que reforça o vizinho Irão, à beira de concretizar a aventura nuclear.


Porto – O vice-presidente da Câmara, Paulo Morais, fez denúncias tão graves, sobre tentativas de corrupção e atropelos urbanísticos, que pôs as autarquias sob suspeita e o financiamento dos partidos em xeque. A entrevista à «Visão» não pode ser ignorada.


Manuel Alegre – Sem espaço político, desistiu da corrida presidencial. Fica o exemplo da sua disponibilidade, a abnegação do cidadão de todos os combates e o pundonor de um republicano e socialista fiel a si próprio e aos seus ideais.


Katrina – A violência do furacão que levou a morte e a destruição à cidade de Nova Orleães não é apenas uma cíclica catástrofe natural, é fruto do efeito de estufa que o actual modelo de desenvolvimento não para de agravar.


 


Monumento ao 25 de Abril em Almeida – A decisão não ultrapassará o ano que decorre. As responsabilidades serão assumidas.

publicado por Praça Alta às 14:13
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

A escalada do preço do petróleo

Há quem apressadamente tenha visto no neoliberalismo a receita para os amanhãs que sorriem, depois do fracasso dos amanhãs que cantam.


 


Há quem, sabendo pouco de história, tenha decretado que o marxismo morreu, que o imenso material que Engels carreou para a análise económica foi puro desperdício e que a valiosa contribuição de Marx e Engels merece o caixote do lixo.


 


As crises cíclicas do capitalismo continuam a acontecer. Só a sua intensidade, duração e frequência são difíceis de prever.


 


Hoje o barril de petróleo ultrapassou os US $70 em Nova Iorque, com o furacão Katrina a servir de ajuda e de pretexto, com um milhão de pessoas evacuadas de Nova Orleães.


 


A energia baseada nos combustíveis fósseis tem os dias contados. Apenas  os interesses das petrolíferas e a leviana postura dos governos se mantêm.


 


Vivemos um tempo que apenas interessa o dia de hoje e os nossos privilégios. Os nossos filhos vão pagar amargamente a nossas incúria e irresponsabilidade.

publicado por Praça Alta às 18:48
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CONCURSO DE FOTOGRAFIA

cam.jpg


A Câmara Municipal de Almeida vai participar nas Jornadas Europeias do Património, promovendo um concurso de Fotografias subordinado ao Tema “Pormenores no Concelho de Almeida”.
Todos os interessados em participar no concurso cujo prazo de entrega de trabalhos é 12 de Setembro, devem consultar o regulamento disponível no site da Câmara Municipal de Almeida em www.cm-almeida.pt.
publicado por Praça Alta às 11:56
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Domingo, 28 de Agosto de 2005

Confissões do vice-presidente da Câmara do Porto

«Nas mais diversas Câmaras Municipais do País há projectos imobiliários  que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais».


 


Paulo Morais, vice-presidente da Câmara do Porto com pelouro do urbanismo «Visão», 25-8-05.


 


«(No Porto) tive pressões ilegítimas de todos os níveis do PSD, de outros partidos, dos mais diversos lados». Idem, Ibidem.


 


«(Chumbámos) um edifício no Parque da Cidade, da empresa Rodrigues Gomes, para a qual recebi pressões e cunhas de dezenas de pessoas, da forma mais ostensiva, a nível governamental» Idem, ibidem.


 


«O urbanismo é, na maioria das Câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para  a mão de privados. A palavra para isto é ‘roubo’». Idem, ibidem.


 


FRASES do «Expresso» de 27/8/05.


 

publicado por Praça Alta às 16:07
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Sábado, 27 de Agosto de 2005

Memória do fascismo - excerto (crónica)

(...) O do Correio era o sr. António Bernardo a cuja casa eu ia levar as cartas e perguntar diariamente pelo correio. Era um camponês que tinha um braço aleijado a que devia uma pequena reforma e o retrato de um jovem de vinte e poucos anos vestido de sargento, como compensação do ferimento na primeira grande guerra. Era o único lavrador da aldeia com três vacas, integralmente pagas, uma burra e algumas ovelhas. Presidia por tradição, que o alvará da Câmara sempre confirmava, aos actos eleitorais.


Um dia acompanhei a minha mãe ao sufrágio durante uma forte chuvada, o que levou o sr. António Bernardo a perguntar respeitosamente por que se tinha incomodado, com um tempo daqueles, coitado do menino, se até já a tinha descarregado, informação cujo alcance me escapou, limitando-se a recolher o voto e a pousá-lo sobre a mesa. Percebi que já não era preciso introduzi-lo pois já lá estava, não aquele, que era impossível introduzir antes de chegar, mas outro igual, que tinha o mesmo valor e igual intenção. Disse mesmo que já estavam descarregados todos os eleitores mas que a lei obrigava a manter a porta aberta, e a lei é a lei, não acha Sr.ª professora, e para a respeitar e fazer respeitar ali estava ele, ninguém melhor que ele, até já fora presidente da Junta antes do José Simão, por isso só quando a hora canónica chegasse é que se fechava a porta e, nessa altura, é que pediria à Sr.ª professora para preencher uns papéis que era preciso, que ele não se ajeitava e os que estavam com ele ainda menos, no tempo deles não havia escola, o trabalho não era muito, todos tinham votado, graças a Deus, mesmo o Germano que Deus tem, se fosse vivo também não deixaria de votar ou, se o tempo estivesse assim e andasse com o gado, não se importava que nós o descarregássemos.


Era um bom homem, a quem o sr. Prior confiava a orientação do terço, designado por mês de Maria, que em Maio todos os dias tinha lugar na aldeia, a mando de Nossa Senhora e a rogo da irmã Lúcia, pela conversão da Rússia. Devia ser por igual delegação de poderes que lhe cabia a orientação da novena que todos os anos,  quando a canícula fustigava o renovo, despovoava a aldeia para ser rezada junto a uma pia que ficava a mais de um quilómetro, na quinta do sr. Morgado. Lembro-me bem dessas peregrinações, que acompanhei várias vezes com devoção, e da eficácia demolidora de uma dessas novenas que transformou o normal pedido de chuva numa trovoada devastadora com os crentes a queixarem-se do excesso de fé, da molha e dos prejuízos. (...)

publicado por Praça Alta às 02:47
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

Coimbra a arder

DSC_0265_1.JPG

Palavras do Presidente da Câmara, umas semanas antes, viajando num carro de bombeiros em missão de propaganda:

«Dizer que a prevenção é a mais importante das questões relativas às calamidades que são os incêndios é um lugar comum. Fundamental é levar a prevenção à prática». (Carlos Encarnação)

publicado por Praça Alta às 02:45
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005

Pensamento do Dia

O ESTADO DEVE FAZER O QUE É ÚTIL. O INDIVIDUO DEVE FAZER O QUE É BELO!

(Oscar Wilde)
publicado por Praça Alta às 12:21
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2005

Táctica para Portugal

Não sei se é verdade ou não ... mas que é uma história espirituosamente portuguesa, é sem dúvida!


História passada na zona de Lisboa.

"! Táctica para Portugal !"

Há dias, quando me ia deitar, notei que havia pessoas dentro da minha garagem, a roubar coisas. Liguei para a polícia, mas disseram-me que não havia ninguém por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.


 


Desliguei. Um minuto depois liguei de novo:

--- Olá - disse eu - Eu liguei há bocado porque estavam pessoas na minha garagem. Já não é preciso virem depressa, porque eu matei-os.

Passados alguns minutos, estavam meia dúzia de carros da polícia na área, uma ambulância e uma unidade do INEM. Apanharam os ladrões em flagrante.


Um dos polícias disse:

--- Pensei que tivesse dito que os tinha morto!

Ao que eu respondi:

--- Pensei que me tivesse dito que não havia ninguém disponível.

publicado por Praça Alta às 00:39
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Domingo, 21 de Agosto de 2005

Viagem à Grécia - Recordações

Há destinos mais interessantes para fazer roer de inveja e deslumbrar os amigos com a nossa prosperidade, mas poucos são tão decisivos para apaziguar a consciência com o tributo que devemos à nossa cultura.


É por isso que a Grécia e a sua capital macrocéfala são destinos obrigatórios. São para os europeus o que Meca e a Arábia Saudita representam para os árabes, lugares que remetem para as origens das respectivas civilizações e que, no caso da Grécia, inspiraram a cultura judaico-cristã e a humanizaram. 


Não sei se ainda a habitam filósofos, artistas e escritores ou se jazem definitivamente sob as ruínas de uma civilização que entranhou a nossa.  


O casario imenso, de salubridade duvidosa, mostra um irreprimível mimetismo com o passado na ânsia desesperada de transformar-se em ruínas. Atenas não é a cidade sonhada, é um espaço em que os subúrbios tomaram conta da burgo, uma imensa e catastrófica sequência de habitações degradadas que abrigam quatro milhões de pessoas, ruas pejadas de automóveis à beira de se desmantelarem, enorme quantidade de lixo a aguardar remoção e multidões de turistas a caminho da Acrópole. A Grécia, entre a glória do passado e a incúria do presente, parece ter parado no tempo e hesita nos caminhos do futuro.


A Acrópole é a bela jóia que a cidade arruinada exibe para provar a nobreza da origem. O Pártenon ainda homenageia Atena, filha de Zeus, deusa das Artes, das Ciências e das Indústrias, a quem os seus imponentes frontões e admiráveis frisos foram dedicados. Sucessivamente templo pagão, igreja, mesquita e paiol,  foi nesta qualidade gravemente danificado por uma explosão no séc. XVII que lhe feriu o mármore e o orgulho, mas manteve a majestade e elegância. O Erecteu, sublime, respira dignidade e exibe o Pórtico na cópia honesta das Cariátides.


De resto só nos museus sobra ainda o testemunho de Fídias que mais de quatro séculos antes de Cristo guiou o cinzel, com rigor e volúpia, desgastando a pedra até descobrir as formas femininas que a habitam, apetecidas e perfeitas, percorridas por um manto diáfano que as afaga numa glorificação da beleza e exaltação do desejo.


Nos templos, pouco frequentados, entram crentes apressados, num périplo osculatório de ícone em ícone, indiferentes aos vírus, que se persignam à chegada e à partida. Deixam uma vela acesa e uma prece, antes de alcançarem de novo a rua, enquanto outros acompanham a liturgia e a desgarrada mística em que clérigos se envolvem atacando o cantochão.


Nas ruas, padres fardados a preceito, gozam a isenção de impostos, a opulência e o prestígio, namoram de mãos dadas e evitam castamente manifestações de impetuoso afecto. Uma mole imensa de turistas extasia-se no Museu Nacional com a apoteose da forma e a beleza sensual que percorre o mármore. Nos restaurantes aguarda-se que os empregados terminem o cigarro, a bebida e a conversa, antes de atenderem os fregueses.


Em Agosto, zarpam diariamente do Pireu luxuosos paquetes atulhados de gente que foge ao fumo, ao calor abrasador e aos gregos, a caminho do mar Egeu e da costa da Ásia Menor, peregrinos em busca dos lugares sagrados onde predicaram Paulo e João ou turistas à procura de praias e de sol. Uns, muito vestidos, procuram a eterna salvação da alma; outros, despidos, o bronzeado efémero do corpo. Entre o êxtase místico e a excitação dos sentidos todos gozam, mergulhando na História que percorre a orla de três continentes e povoa centenas de ilhas.


Quem fizer a viagem, e for acompanhado, não se esqueça de preencher no boletim de registo de embarque o espaço da data de casamento e atribuí-la a um dos dias a bordo. Casais que fruam uma feliz união, ainda que sazonal, não se arrependerão. Nessa noite serão presenteados com um belo bolo de aniversário e uma garrafa de bom champanhe enquanto violinos vibram parabéns junto à sua mesa, empunhados com segurança por músicos da orquestra privativa.


Depois, basta-lhes manter a compostura face aos numerosos desconhecidos que se associam às felicitações.

publicado por Praça Alta às 01:35
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005

A laicidade do Estado defende a liberdade religiosa e a paz

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República e laicidade


Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à bíblia e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam o Irão e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo regressam à Europa.


 A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.



A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.



A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.


 Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.


 Os devotos crêem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral com a crueza das épocas em que foram impressas.



Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.


 Em 1979, a vitória do ayatollah Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio Oriente e sectores árabes e não árabes de países democráticos.


 Por sua vez o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultra-ortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os sectores sionistas laicos.


 O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reaccionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e já contamina o aparelho de Estado dos EUA.


 O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II (JP2), que arrumou o concílio Vaticano II e recuperou o Vaticano I e o de Trento.


 João Paulo II transformou a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI foi herdeiro e protector, se é que não esteve na sua génese.


 A recente chegada ao poder de líderes políticos que explicitam publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas (EUA e Reino Unido), foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado constituem um exemplo perverso para as populações saídas de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para outras sujeições.


 A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias - uma forma de despotismo que urge erradicar.


 A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma questão de tempo a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade. Só o aprofundamento da laicidade nos pode valer.

publicado por Praça Alta às 13:46
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Iraque - Todos de acordo (2)

Os xiitas, os curdos e os sunitas estiveram, até ao fim do prazo, todos de acordo em recusar a Constituição Iraquiana.

Assim, o presidente da Assembleia Nacional do Iraque, Hashim al-Hassani, submeteu a votação um prolongamento do prazo por sete dias.

Foi aprovado por unanimidade.
publicado por Praça Alta às 01:36
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2005

A Constituição Iraquiana

O adiamento da votação da Constituição Iraquiana foi um péssimo prenúncio.


 A resignação dos EUA à transformação do Iraque numa república islâmica não é apenas a confirmação do fracasso, é a admissão da falsidade dos argumentos que justificaram a invasão.


 Que é feito dos cristãos que, sob a ditadura de Saddam, gozavam de liberdade religiosa e eram, no Iraque, anteriores ao Islão? Onde está a liberdade prometida, a democracia anunciada, a igualdade  entre os sexos, com uma constituição que tem o Corão como referência principal?


 A impotência e a hipocrisia emergiram depois de dois mil soldados inutilmente mortos, perante a devastação de um país, o acirrar dos ódios tribais, o aumento da influência do clero e o horror e o ódio a atingirem o seu máximo esplendor.


 O mundo não esquecerá a arrogância de Bush e Blair nos Açores, a conivência dos lacaios e a expectativa dos falcões dos EUA. A cimeira da guerra, associada de forma trágica e vergonhosa ao território português, deu origem à catástrofe que fez regressar o Iraque à Idade Média e transformou o Médio Oriente de zona perigosa em barril de pólvora.


 A tragédia suplementar reside agora na dificuldade e falta de credibilidade dos autores morais e materiais de uma agressão ao arrepio da ONU e do Direito internacional, com base em mentiras e artifícios, para conter as ambições nucleares do Irão ou responder com determinação ao regime demencial da Coreia do Norte.


 Quem não respeita as normas internacionais carece de legitimidade para celebrar a paz, impor o Direito, promover a democracia e defender a liberdade.

publicado por Praça Alta às 17:34
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005

Brasil – Um país sob suspeita

presidente lula silva.jpg


Os partidos da oposição afastaram a hipótese, para já, de pedir o «impeachment» de Lula da Silva, face à ausência de provas contra ele e aos elevados níveis de popularidade de que ainda goza.


 


No entanto, o velho operário metalúrgico sai ferido de um esquema de corrupção que é a lepra que corrói as democracias, com especial propensão para os países latinos. Nas ditaduras a corrupção costuma ser ainda maior mas a censura e as perseguições políticas encarregam-se de limitar os efeitos.


 


O Brasil não esqueceu ainda o trauma de Collor de Mello.


 


Quando a economia cresce a bom ritmo, a luta contra a fome conhece êxito e um velho operário é a esperança de milhões de deserdados, a corrupção veio ensombrar o sonho brasileiro e lançar o desânimo nas forças progressistas que acreditam na justiça social.


 


Faço votos para que o Presidente seja definitivamente ilibado e se liberte dos crápulas que o cercam. Há muitas forças e grandes países apostados no seu fracasso.


 


 O crescimento brasileiro e a sua capacidade para se tornar o grande motor da América do Sul são uma preocupação para os EUA e um desafio para cujo êxito são o principal garante a perseverança, coragem, determinação e carisma de Lula da Silva.

publicado por Praça Alta às 17:02
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2005

Madeira inaugura estátua de Carlos de Áustria

O cardeal português Saraiva Martins, da Cúria Romana, deslocou-se à Madeira a fim de descerrar a estátua do Beato Carlos de Áustria, um dos numerosos bem-aventurados a quem João Paulo II elevou aos altares.

Na homilia o cardeal referiu que «é dever dos governantes procurar a santidade».

Alberto João Jardim não comentou tal afirmação.
publicado por Praça Alta às 19:06
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Sobre Marques Mendes

«É um pequeno ditador».
(Valentim Loureiro, conselheiro Nacional do PSD e candidato à Câmara de Gondomar, em declarações à RTP)

«Ainda eu hei-se ser presidente da Câmara e já ele terá deixado de ser líder do partido.»
idem IBIDEM
publicado por Praça Alta às 19:04
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