Domingo, 31 de Julho de 2005

Lisboa




Torre de Belém


Os portugueses, em geral, e os lisboetas, em particular, sabem o que foi o descalabro da gestão Santana Lopes/Carmona Rodrigues com a cumplicidade de Paulo Portas.

O actual executivo camarário foi um sorvedouro inútil de dinheiro, responsável pelo gigantesco endividamento contraído, face aos recursos de que a Câmara podia dispor. A vereação foi uma mera comissão de propaganda eleitoral para a candidatura de Santana Lopes à presidência da República, antes do naufrágio no palácio de S. Bento.

Da gestão improvisada, ruinosa e sem rumo, pretende o PSD absolver o dedicado cireneu que ajudou a levar a cruz de Santana Lopes – Carmona Rodrigues –, que procura agora camuflar a cumplicidade de seu braço direito e convencer o eleitorado de que o único responsável foi o seu presidente agora caído em desgraça.

O Túnel do Marquês e o Parque Mayer são os casos emblemáticos da incompetência da candidatura populista, mas a gestão de Lisboa foi uma responsabilidade colectiva que culminou com a cedência gratuita de terrenos e a assunção de mais encargos pela CML para a construção de uma nova Sé de Lisboa.

É essa imensa trapalhada e o descontrolo do último mandato autárquico que Maria José Nogueira Pinto, candidata do CDS/PP, procura denunciar – e bem –, nas entrevistas, nas várias aparições públicas e em todas as oportunidades que lhe surgem para denunciar a gestão PSD/CDS.

Nogueira Pinto desanca a aliança de Santana / Portas mas o eleitorado já tem a noção de que, desde o terramoto de 1755, Lisboa não tinha sido vítima de uma desgraça assim.
publicado por Praça Alta às 23:07
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Notas Soltas - Julho/2005

Irão – A vitória do candidato mais radical Mahmoud Ahmadinejad é o prenúncio do regresso à instabilidade que o defunto Ayatolah Khomeiny gerou em 1979. O Irão demencialmente fanatizado é um estorvo à democratização do Médio Oriente.


EUA – Em 4 de Julho, dia da independência, mais uma grande vitória da ciência celebrou a data – a colisão programada de uma sonda da NASA contra um cometa. Que grande avanço para a humanidade num país que tanto retrocede.


Madeira – As afirmações de A. João Jardim, relativas a chineses e indianos, são uma manifestação boçal de racismo e xenofobia que ignora milhões de compatriotas emigrados, muitos deles madeirenses.


Co-incineração – Os testes efectuados com resíduos industriais na cimenteira Secil corroboraram a conclusão da «Comissão Independente». É um método quase inócuo, de valorização energética e que respeita as exigências ambientais. Que dizem o PSD e o CDS a três anos perdidos, sem nada terem feito?


Reino Unido – O fanatismo religioso reaparece no cobarde atentado que semeou a morte e a desolação em Londres. Os dementes de Deus são capazes de todos os crimes a troco do Paraíso. Urge quebrar os ímpetos assassinos do fascismo islâmico.


Luxemburgo – A vitória do SIM no referendo é uma débil esperança para a Constituição Europeia e uma vitória pessoal do primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, que, por respeito ao eleitorado, recusou o convite para presidir à Comissão Europeia.


Coreia do Norte – No último Estado estalinista correm o risco de morrer à fome centenas de milhares de pessoas. A troco de negociações sobre o programa nuclear, a Coreia do Sul disponibilizou 500 mil toneladas de arroz.


Autárquicas – Quem defendeu as alterações que permitiram listas independentes tem os exemplos de Isaltino, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Ferreira Torres e outros, para reflectir e apreciar o caciquismo na sua máxima apoteose.


Assembleia da República – A redução do número de deputados e a criação de círculos uninominais é uma concessão ao populismo que esmaga os pequenos partidos e empobrece as opções eleitorais. A oposição faz-se no Parlamento. Ou na rua.


Iraque – Estima-se que cerca de 25 mil civis foram mortos desde a invasão, um terço dos quais por terroristas autóctones. Na contabilidade macabra, os agressores vão largamente à frente. E a Constituição «democrática» vai ter o Islão como referência.


Ministério das Finanças – A demissão do titular ao fim de quatro meses não é um bom prenúncio para o futuro mas a rapidez da substituição e a credibilidade do novo ministro mostram a grande margem de manobra de que Sócrates dispõe.


Ass. Portuguesa de Escritores – A atribuição do Grande Prémio do Romance a Vasco Graça Moura é o justo galardão a um dos mais fecundos e estimulantes escritores da língua portuguesa, que se distinguiu na poesia, ensaio, tradução e, agora, no romance.


Chão da Lagoa – É a arena onde, todos os anos, o líder do PSD/Madeira investe contra o Continente e a comunicação social e exibe a falta de educação e de princípios. Este ano, depois de afrontar Marques Mendes, atacou a Constituição.


Autárquicas – Inquinadas pelas restrições orçamentais, acabam por julgar mais o Governo e menos os candidatos, reflectindo interesses urdidos por caciques locais sem ponderação do mérito de quem se submete a sufrágio. 


Presidenciais – São previsíveis acidentes de percurso até ao veredicto final, mas – a confirmarem-se os candidatos que se anunciam –, regressa a discussão política e a incerteza quanto aos resultados eleitorais.


Londres – O brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica, foi atingido com oito tiros, sete na cabeça e um no ombro –, admitiram as autoridades. Depois da guerra preventiva, chegaram os fuzilamentos preventivos.


Durão Barroso – O Financial Times, um dos mais conceituados jornais em todo o mundo, avalia o desempenho do presidente da Comissão Europeia como um «show de horror» e é ainda mais severo do que os portugueses para com o antigo primeiro-ministro.


Ota e TGV – O regresso dos projectos é uma esperança para a economia e para a absorção de mão de obra que, de há três anos a esta parte, só vê crescer o desemprego, mas os inimigos querem reservar-lhe a maldição da barragem do Alqueva.


Holanda – A condenação de Mohammed Bouyeri, de 27 anos, a prisão perpétua, pelo assassínio de Theo van Gogh, o realizador que denunciou a crueldade de que as mulheres são vítimas no islão, impede o terrorista de reincidir na aplicação do Corão.


Irlanda do Norte – O IRA renunciou finalmente à luta armada. É uma auspiciosa notícia, após um passado de violência que dilacerou católicos e protestantes e sacrificou três mil mortos no altar do ódio, nos últimos quarenta anos.


 


Monumento ao 25 de Abril em Almeida – Nos próximos meses dificilmente haverá notícias relevantes.

publicado por Praça Alta às 03:48
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Sábado, 30 de Julho de 2005

A escola e o presépio (crónica)

Bem crucificado e suavemente chagado, numa cruz de madeira dependurada na parede, penava um Cristo de bronze em resignada agonia, ladeado à direita por uma fotografia de um homem de bigode, fardado, conhecido por marechal Carmona, e à esquerda por um eterno seminarista, com ar de gato-pingado, que infundia terror – o Professor Salazar.

Na mesma parede, em frente dos alunos, a razoável distância e muitos fungos depois, quedava-se a Senhora de Fátima, poisada numa mísula, alheada da conversão da Rússia e da salvação do mundo. Mais abaixo, à esquerda, ficava o quadro preto e o mapa do corpo humano e, à direita, rasgados, um mapa de Portugal Continental, outro das Ilhas Adjacentes e das Colónias e o mapa-múndi.

O soalho resistia aos buracos, numerosos e amplos, que a humidade e o uso se encarregavam de alargar. As carteiras alinhavam-se em rigorosa geometria com lugares destinados a cerca de quarenta garotos de ambos os sexos distribuídos pela primeira, segunda e quarta classes. Entre quinze a vinte estavam na sala oposta a frequentar a terceira, confiados à senhora Noémia, regente escolar.

Nos dias de chuva subvertia-se a ordem, numa complexa gincana de carteiras, para evitar que os pingos de água que escorriam do tecto acertassem nos tinteiros e salpicassem de azul a roupa das crianças e os tampos de madeira.

No intervalo, meninos e meninas, em amplas correrias e direcções opostas, procuravam os quintais próximos para se aliviarem dos fluidos que os apoquentavam.

À entrada da escola o presépio anunciava todos os anos o Natal. Na armação de tábuas e pedras cobertas de musgos, um menino de barro, seminu e de perna alçada, jazia em decúbito dorsal sobre uma caminha de palha centeeira. Era o Menino Jesus. De um lado uma virgem colorida, moderadamente recatada e com pouco uso, substituía a que se partira, interessada na companhia do filho que herdara. Do outro, um S. José, a quem a corrosão deixara em pior estado do que o dogma da Imaculada Conceição, parecia um erro de casting, indiferente ao aspecto, perdidas as cores, diluídas as formas, conformado com os olhares e as súplicas, incapaz de operar milagres, resignado com o frio de Dezembro.

O burro e a vaca comportavam-se a preceito, facilmente se adivinhando o gosto por erva se eles e esta fossem verdadeiros.

Os reis magos, eternos almocreves com ar de ladrões de camelos, virados para uma estrela recortada em papel colorido, permaneciam imóveis na lendária caminhada, quais amoladores de tesouras, à espera de fregueses para ganharem o sustento e um presente para o Menino.

As ovelhas que placidamente decoravam a montanha eram figurantes experientes, desinteressadas da importância que acrescentavam ao quadro e do exemplo de submissão que transmitiam. Nem um só carneiro as acompanhava, talvez para lembrar que é na renúncia ao prazer que se encontra a redenção da alma. Apenas um cão e o pastor.
Reflicto hoje sobre a predilecção por musgos, muitos musgos, para cobrir o chão do presépio. Na religião tudo se deve cobrir ou, no mínimo, disfarçar. Talvez esteja na ocultação dos órgãos de reprodução, característica das plantas criptogâmicas, a razão da preferência, a funcionar como metáfora.

Ah! Já me esquecia, pintados de branco, anjos de barro, junto ao caminho de serradura que conduzia à manjedoura, voavam baixinho, com asas quebradas, incapazes de regressar ao Céu. E o algodão em rama imitava os flocos de neve que lá fora rodopiavam ao sabor do vento. Eu gostava do Presépio. Não era o catecismo a aterrorizar-me com o Inferno onde as almas que ali frigiam, em perpétua flutuação no azeite fervente, eram mergulhadas com um garfo de três dentes empunhado pelo diabo.

A minha escola caiu, pelo Natal, ficando de pé uma única parede e a fé das pessoas que atribuíram à protecção divina a ausência de aulas durante a derrocada.
publicado por Praça Alta às 20:34
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

Cavaco e as presidenciais

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Cavaco Silva é um cidadão respeitável, merecedor da consideração dos portugueses. Exceptuando Guterres, foi o melhor primeiro-ministro de Portugal.


É um homem íntegro, académico ilustre e um patriota. Não merece que o desrespeitem, ponham em dúvida a dedicação ao serviço público ou a capacidade para ser presidente da República.


Se viesse a ser eleito não seria nenhuma tragédia nem a democracia correria perigo. Não é homem para jurar a Constituição com intenção de traí-la.


Portugal tem o privilégio de dispor dele para a pugna eleitoral. Cavaco tem qualidades, perfil e percurso para o exercício do cargo de Presidente da República.


A eventual eleição traria, aliás, alguns benefícios de que só ele seria capaz:


- O eclipse político de Paulo Portas;
- O remoção de Santana Lopes e da sua corte para fora da área do poder;
- A progressiva extinção do CDS;
- O fim das veleidades de alguns barões do PSD, Jardim incluído;
- A exigência de um PSD melhor frequentado.


Todavia, não por culpa sua, podia tornar-se um agente perturbador do regime. A par de respeitáveis cidadãos, atrelar-se-ão à candidatura numerosos ressentidos com a derrota das legislativas, ansiosos por uma desforra.


Já há meses, no Diário de Notícias, Vasco Graça Moura, o mais indefectível almocreve do cavaquismo, escrevia que era necessário eleger Cavaco para correr com Sócrates que tinha, nessa altura, escassas semanas de Governo. É essa instabilidade que a economia e o País tem de evitar. É esse risco que os eleitores têm de ponderar.


Cavaco dificilmente renunciaria a impor a liderança do economista António Borges ao PSD, por quem quis substituir Durão Barroso, apesar da sua notória falta de preparação política.


Quanto à mais valia que se aponta à formação académica de Cavaco é pura falácia. Não se procura um futuro ministro da área económica para um Governo do PSD. Estão em causa eleições presidenciais.


Mário Soares (formado em direito, história e filosofia) provou com o seu desempenho exemplar que é de um político que o País precisa para o palácio de Belém.
publicado por Praça Alta às 00:38
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2005

Durão Barroso

O Financial Times, um dos mais prestigiados jornais de todo o mundo, fazendo o balanço do primeiro ano à frente da Comissão Europeia, descreve o desempenho de Durão Barroso como um «show de horror» - anuncia a SIC Online.

Acusa-o de falta de liderança em relação aos comissários e na relação com os governos dos Estados-membros, opinião que desde o chanceler alemão ao comissário britânico Peter Mandelson, começa a generalizar-se.

A insistência no impensável comissário Rocco Butiglione, que o Parlamento Europeu obrigou a despedir, as férias com um magnate grego que recebeu apoios financeiros da Comissão Europeia e o facto de o presidente Chirac lhe proibir qualquer intervenção na campanha para o referendo europeu em França, são algumas das muitas críticas que o FT faz a José Manuel Barroso.

O conceituado jornal é ainda mais severo para o presidente da Comissão Europeia do que o povo português para o seu desempenho como primeiro-ministro.

Infelizmente para a Europa.
publicado por Praça Alta às 00:51
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

Cúmplice e refém

Sob o título em epígrafe, Vasco Graça Moura (VGM), no seu habitual artigo das quartas feiras no Diário de Notícias (site indisponível), desfere hoje um ataque violento a Mário Soares.


 Com a truculência e os níveis basais de desonestidade intelectual que o caracterizam, VGM destila o rancor habitual contra todos os que se situem à esquerda ou à direita do PSD, o que constitui a sua imagem de marca.


 Pressente-se uma central de intoxicação da direita de que são indício, entre outras, as graves acusações que a imprensa classificou como conspiração santanista.


 Esta central, que conspurca, persegue, denigre e assassina caracteres, funciona de forma difusa contra figuras de esquerda, por células independentes, um pouco à semelhança da Al-qaeda, felizmente sem o recurso ao terrorismo armado.


 VGM, sozinho, é uma célula a descoberto, a disparar adjectivos, calúnias e disparates.


 Neste artigo, VGM passa a esponja sobre os últimos e desastrosos três anos de Governo PSD/CDS com a mesma ligeireza e forma expedita com que o CDS se desembaraçou da foto de Freitas do Amaral.


 VGM foi o primeiro a dizer de Cavaco Silva que era «o PR ideal para convocar novas eleições e correr com os socialistas do Governo, na primeira oportunidade». É preciso denunciar as ameaças e combater o arrieiro, não deixando impunes os dislates, nem abandonando o combate democrático que nos espera.

publicado por Praça Alta às 18:33
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Terça-feira, 26 de Julho de 2005

Que fazer com a prostituição?

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Moulin de la Galette - 1889 - Óleo sobre tela - Toulouse-Lautrec

Não me parece que haja respostas diferentes de acordo com o quadrante ideológico. Pode acontecer que a direita, ciosa de públicas virtudes, seja mais relutante a admitir a sua existência e a esquerda esteja mais atenta às causas que lançam uma imensa quantidade de mulheres na prostituição, numa manifesta supremacia da prostituição feminina sobre a masculina.

Tenho dificuldade em encarar a prostituição como indústria, tributada como qualquer outra actividade, como sucede na Holanda, mas com direitos sociais iguais. Recordo-me bem da perseguição legal que, no auge da ditadura fascista, era levada a cabo pelos esbirros do salazarismo, que efectuavam prisões por «vadiagem» e exerciam sevícias nas esquadras.
Não podemos fechar os olhos aos empresários que exploram mulheres a troco de alegada protecção, de violenta coacção física e psicológica, com recurso à ameaça e à chantagem, numa miserável e aviltante exploração da miséria e da fragilidade, nem às redes criminosas que pululam em torno do negócio. Então, em ditadura, hoje, em democracia.

A prostituição foi legal até 31 de Dezembro de 1962, exercida em casas cujos alvarás, transaccionáveis, eram concedidos pelos Governos Civis, sendo os locais objecto de constantes rusgas policiais e as meretrizes alvo frequente de extorsão pelos agentes.

A Igreja católica, após uma intensa campanha moralista, que mobilizou o clero, as forças vivas, virtuosas senhoras e a «melhor sociedade», logrou o cancelamento dos alvarás, a interdição das casas e a ilegalização da profissão, enquanto corria o boato de que uma piedosa proprietária de bordéis deixou a fortuna ao Patriarcado de Lisboa, incluindo numerosos alvarás.

Foi um decreto-lei de 19 de Junho de 1962 que determinou o encerramento dos bordéis. Era ministro do Interior Alfredo dos Santos Júnior, um obscuro médico de Gouveia em cujo consulado a PIDE assassinou o general Humberto Delgado e a repressão conheceu um dos períodos mais violentos.

Acabaram, assim, as revistas semanais feitas pelos delegados de Saúde de cujo atestado sanitário dependia a autorização que as habilitava para o exercício de funções. O estado sanitário da prostituta era averbado na caderneta individual sem a qual não podia exercer o múnus.

Nesse tempo a sífilis, a tuberculose, a blenorragia e outras doenças venéreas eram as principais causas que punham de quarentena as prostitutas matriculadas. Depois o controlo acabou e, quatro décadas passadas, com a SIDA, o problema de saúde pública atinge proporções dramáticas. Acresce que a criminalidade dura gera e gere, hoje, redes de difícil contenção e repressão à custa da indústria do sexo.

À míngua de uma posição definitiva, entendo que a discussão deve fazer-se com urgência e procurar uma resposta. O pior, como sempre, é ignorar a realidade.
publicado por Praça Alta às 19:17
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O propagandista Marcelo na RTP

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Marcelo Rebelo de Sousa faz há muito a pré-campanha de Cavaco Silva esperando que, num golpe de sorte, pudesse substituí-lo, o que não acontece porque Cavaco avança e apenas tem gerido o tabu de acordo com as conveniências.


 Marcelo é um especialista a julgar pessoas e Governos, inteligente, vivo e demolidor, naturalmente ressabiado por não ter grandes notas na popularidade que o guinde aos cargos que ambiciona.


 É bom a desfazer Governos mas a sua maior mágoa é nunca ter conseguido fazer um.


 Agora é a vez de atacar Mário Soares no desejo de que, depois de Cavaco, possa chegar a sua vez. Até descobriu que para Presidente da República era útil ser economista, como se Mário Soares (formado em direito e em história) não tenha sido excelente PR.


 Marcelo, ao enaltecer a formação económica de Cavaco, está a indigitá-lo para um lugar de ministro de uma pasta económica quando a direita voltar ao poder. Esqueceu-se de que estava a falar de eleições presidenciais. No fundo, pôs o dedo na ferida, Cavaco tem o perfil de executivo, mas não é isso que se exige a um PR.


 Há dez anos Soares saiu de PR e nunca abandonou a política activa. Cavaco perdeu as eleições contra Sampaio e não mais foi achado na defesa dos interesses do País.


 Sabe-se apenas que Durão o desiludiu e que Santana lhe causa brotoeja.

publicado por Praça Alta às 14:28
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2005

Não é engano!...É mesmo assim!

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Poderão pensar que esta foto foi aqui colocada por engano. Pois não!!! É este mesmo o aspecto, há cerca de um mês, da principal entrada da vila de Almeida, pelas Portas de São Francisco.
Apenas o interior das duas portas se encontra iluminado, e tanto os candeeiros existentes ainda no Largo 25 de Abril (3), como os existentes entre as duas portas não fornecem qualquer luz para os transeuntes, tornando este pequeno troço escuro como "breu". Para piorar a situação, também a iluminação das muralhas, neste troço só é ligada em "dias de festa".
Aqui deixamos o apelo a quem de direito para resolver esta situação.
publicado por Praça Alta às 23:24
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2005

ASTA - Feira da Solidariedade

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A ASTA realizou no passado fim de semana a Feira da Solidariedade. Dentro do espaço das suas novas instalações, no Alto da Fonte Salqgueira, freguesia da Cabreira, foram montados os espaços de venda, onde se podia copmprar um pouco de tudo. A tarde de sábado juntou várias centenas de pessoas que, além da feira, puderam assistir à apresentação do Grupo Pé Coxinho (na foto), formado por elememtos da ASTA. Também a Estudantina de Lisboa se quis associar ao evento e encantou todos os que ali se encontravam.
O dia de Domingo trouxe outra enchente de pessoas, o que levou a incansável mentora deste projecto, Dr.ª Maria José Fonseca a não ter qualquer dúvida quanto à realização da próxima Feira da Solidariedade, em 2006.
No final da tarde o Coro Etnográfico de Almeida proporcionou aos presentes um espectáculo de música popular e folclore.
publicado por Praça Alta às 22:31
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Domingo, 17 de Julho de 2005

O Exorcismo da Celeste (Crónica)

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Libertação de uma possuída, detalhe do "Retábulo de São Volfango", de Michel Pacher.


Em terras da Beira, depois da guerra, a gratidão para com a senhora de Fátima, pela afeição a Portugal, estendia-se ao senhor presidente do Conselho que nos livrara do conflito. No Cume sobrava piedade e faltava comida. Estavam no fim os anos quarenta e os portugueses  longe de começarem a ser gente.


 A Celeste morava ao cimo do povo, sozinha, e cismava que se matava. Via-se que não regulava bem da cabeça e adivinhava-se a fome que a apoquentava. Suspeitaram os vizinhos de mau olhado e a ti Catrina, calhada nas benzeduras para tal moléstia, já a tinha ido visitar com outras mulheres embiocadas no xaile e os rostos sumidos na copa de enormes lenços pretos. Das conversas delas nada se disse mas ouviu-se na rua a ladainha:


 


            «Dois to deram, três to tirarão,


foi S. Pedro e S. Paulo e o apóstolo S. João


Sant'Ana pariu Maria, Maria pariu Jesus,


assim como isto é verdade,


livre este corpo de ares, olhares e todo o mal


em louvor de Sant'Ana e Santa Iria...


padre nosso, ave-maria...»


 


Muitos padre-nossos e ave-marias depois, sem abrandar o mal, as mulheres mais velhas concluíram que deviam ser espíritos que atenazavam a bendita alma da Celeste, tão temente a Deus que ela era, mas nestas coisas de espíritos ruins são estes que escolhem a morada e, embora a oração lhes dificulte a entrada, está provado que não é intransponível a barreira.


 A adensar a suspeita ouvia-se na habitação, durante a noite, o barulho de máquina de costura, que não havia, a trabalhar, a perturbar o sono e a aumentar a angústia. À porta juntavam-se pessoas vindas da igreja a ouvir o som que os espíritos produziam. Os poucos que não ouviram, apesar da atenção e do silêncio, conformaram-se com a deficiência auditiva e renderam-se à maioria.


 O senhor padre pode ter desconfiado do diagnóstico, o sr. António Bernardo dizia que ela não batia bem da bola, podia até ser dos espíritos, a senhora professora aconselhou um médico, que disparate, o que sabe um médico destas coisas e onde é que o há, mas o povo na sua infinita sabedoria já tinha o veredicto, eram espíritos, só podia ser, falava-se de uma avó falecida há muitos anos, a voz tinha sido reconhecida, faltaram-lhe algumas missas ao trintário na encomendação da alma, não se perde nada em benzer a casa e deixar algum latim – conformou-se, acossado, o padre Pires –, dizem-se as missas em dívida e logo se verá.


 A Celeste é mulher e o destino das mulheres serem possuídas, os espíritos malignos aproveitam e, depois de entrarem, são difíceis de expulsar. É um combate para senhores párocos, ou mesmo para um reverendíssimo bispo se as posses da vítima e a malignidade o aconselham. Pouco avezado a tais pelejas, mas com habilitações canónicas e compleição adequada à luta, bem se esforça o padre a desalojá-los. Quem julgue que a força da cruz e do divino devem bastar não conhece os espíritos e o furor que transmitem às mulheres possuídas, levando à exaustão o exorcista que não raro precisa de várias tentativas para se fazer obedecer. Fracassa e fica extenuado, à primeira, o padre Pires, valendo-lhe a gemada que o aguarda com vinho e açúcar, enquanto a ceia e o breviário lhe não retemperam as forças e devolvem a serenidade.


 A Celeste não melhora. Continua a ouvir vozes que desconhece, definha. Alguns dias após, no regresso do Carapito, onde tinha ido levar o viático a um moribundo, volta o padre Pires à peleja com o maligno. Pode ser que na vez anterior se tenha entupido o hissope, avariado o crucifixo ou faltado à água a bendição, quem sabe, o senhor prior não costuma partilhar as dúvidas, se dúvidas assaltam o ministro de Deus, isto é um incréu a pensar, a força da fé move montanhas, sempre ouvi dizer, a Celeste pode ter perdido a fé com a fraqueza, e sem fé não adianta, é um esforço inglório, o certo é que o senhor padre volta a entrar naquela casa, se pode chamar-se assim ao sítio, mal nunca faz, senhor eu não sou digna de que entreis na minha morada, isto é uma forma de dizer, a Celeste refere-se a Deus que está em toda a parte, mas quando vem acompanhado do seu representante há-de infundir maior respeito, as pessoas humildes dizem estas coisas, o senhor padre mergulha bem o hissope, asperge-o com vigor, desenha cruzes, vai-se ao demo com o latim e as mãos, põe as pessoas a rezar o terço que a irmã Lúcia recomenda contra o comunismo, que também resulta com os espíritos, tudo obra do demo, deixa a reza para os paroquianos e sai da refrega exausto à procura da gemada com vinho, açúcar e nódoas para a batina, sem saber se os espíritos encurralados no corpo frágil obedeceram à ordem de expulsão, onde resistiam acossados à parafernália de alfaias sagradas e pias intimações.


 As pessoas esperam na rua alheias ao perigo de serem apanhadas para refúgio dos espíritos em fuga. Nessa noite a máquina de costura inexistente permanece silenciosa e quieta, calam-se as vozes das almas penadas, a Celeste dorme bem pela primeira vez em muitos dias, depois da canja que lhe levaram. Se os espíritos não saíram estão debilitados.


 A Celeste, com pouco alento, é certo, volta à horta e à igreja, o exorcismo resulta. Finou-se algumas semanas depois, completamente curada e liberta de espíritos malignos.


Carlos Esperança

publicado por Praça Alta às 00:39
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2005

Vergonha ou caso de polícia?

Caricatura de Valentim Loureiro


Os motivos infamantes que levaram o capitão Valentim Loureiro à expulsão das Forças Armadas Portuguesas (F.A.P.) impedi-lo-iam, noutro país europeu, talvez com a excepção da Itália, de prosseguir qualquer carreira pública.

Foi a situação de desespero económico da viúva e de filhos menores de outro capitão, expulso pelo mesmo motivo, que deu origem a um acto de misericórdia que levou à reintegração do referido oficial, a título póstumo, com uma pena mais suave, situação que foi sancionada pelo gen. Eanes, então CEMGE.

Foi essa esmola à família do camarada falecido que Valentim Loureiro reivindicou para exigir a reintegração e ascender ao posto de major que a antiguidade entretanto permitia.

Depois disto, só a falta de vergonha do próprio e do PSD, em que um protegeu o outro, mútua e reciprocamente, permitiu ao oficial que recebia uma comissão nas batatas compradas para as Forças Armadas, desempenhar funções relevantes.

Só um eleitorado que não castiga o carácter venal dos seus eleitos e um partido que se conforma com o passado inquietante dos seus quadros, puderam permitir que Valentim Loureiro ocupasse os mais altos cargos da hierarquia partidária, presidisse a uma Câmara, colocasse homens da sua confiança no Governo, incluindo um seu vereador, dirigisse o futebol nacional e presidisse à Empresa do Metro do Porto em representação dos autarcas.

O gesto corajoso e nobre de Marques Mendes, de lhe retirar a confiança política, não o impede de apresentar de novo a sua candidatura à Câmara de Gondomar no próximo dia 22.


Antes disso, «assinou ontem um protocolo com os párocos de 14 freguesias do concelho de Gondomar, com vista à distribuição de uma verba camarária de cerca de 136.500 euros» - segundo revela o Correio da Manhã de 13 do corrente.


«Valentim Loureiro distribui dinheiro por párocos». É a apoteose do caciquismo no seu máximo esplendor.


Carlos Esperança

publicado por Praça Alta às 01:22
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2005

Nova catedral em Lisboa

Discretamente, como convém a negócios pouco transparentes, foi celebrado no dia 8 do corrente mês um protocolo entre Pedro Santana Lopes (PSL), presidente da Câmara de Lisboa e dois administradores da GESFIMO (Sociedade Gestora de Fundos S.A.), do grupo Espírito Santo, com vista à cedência de terrenos camarários para a construção de uma nova catedral.


 


Não está em causa a devoção dos lisboetas que, à medida que a cidade perde população, aumentam a frequência do culto. Não contesto o desejo da Igreja Católica de acolher os fiéis, afirmar a sua hegemonia e aumentar o seu património imobiliário.


 


O que está em causa é a legitimidade da autarquia para alienar os seus terrenos a título gracioso (cerca de 11 mil metros quadrados) numa zona privilegiada de Lisboa, com vista para o Tejo. A que título um presidente da Câmara dá o que não é seu a uma confissão religiosa de alguns, desprezando a ética, a equidade e a legalidade?


 


Pior, como pode permitir-se um edil em fim de mandato, despedido pelo PSD, que lhe nega a recandidatura, delapidar o património que lhe cabia defender e assumir despesas com os acessos e outras infra-estruturas que não será ele a honrar?


 


PSL, cuja devoção não se contesta, disse orgulhar-se do acto, fechando o mandato com «chave de ouro», isto é, entregando o ouro, que não era seu, ao patriarca Policarpo.


 


A falta de respeito pelo carácter laico do Estado, a desconsideração a outras religiões, a ausência de pudor republicano, constituem um acto reprovável, provavelmente um caso de polícia e um gravíssimo acto político.


 


PSL termina a gestão da Câmara de Lisboa com a mesma leviandade e insensatez com que um dia passou pelo Governo de Portugal com a conivência de Durão Barroso e a cumplicidade do PSD e do CDS.

publicado por Praça Alta às 00:26
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2005

II Torneio de Futsal de Almeida

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Integrado nas Comemorações do Feriado Municipal disputou-se o Torneio de Futsal de Almeida, que contou este ano, como atractivo principal, com a equipa do S.L. Benfica, recente Campeão Nacional da Modalidade.
Também presentes o Sporting de Pombal, a Fundação Jorge Antunes, clubes da principal divisão nacional e uma selecção do concelho de Almeida, que apresentamos na foto.
Num torneio que foi um êxito ainda maior do que o do ano passado, a qualidade técnica das equipas atraiu imenso público ao Gimnodesportivo de Almeida que acabou por ver campeão do Torneio o Benfica como a maioria esperava.
Pelo êxito que tem sido este Torneio espera-se a sua repetição para o próximo ano.
publicado por Praça Alta às 19:47
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Comemorações do Feriado Municipal

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As comemorações do Feriado Municipal de Almeida deste ano foram recheadas de realizações para os mais diversos gostos. Como principais atractivos estavam porém o II Torneio de Futsal e as provas de Hipismo que já vêm sendo tradição nesta data.
Dentro das provas de Hipismo, aquela que mais gente atrai é a que se realiza no dia 2 de Julho à noite, uma prova de potência sempre muito disputada e que desperta grandes paixões.
No final o já tradicional espectáculo piromusical que atrai bastante público não só de Almeida, mas também dass redondezas.
Este ano e aproveitando o facto de o dia 3 de Julho ser Domingo, o Baluarte de Santa Bárbara (Praça Alta) foi também palco de Jogos tradicionais inter-freguesias e de um espectáculo com a Banda da Malhada Sorda, Polifónico de Vilar Formoso, Rancho da Miuzela e Coro Etnográfico de Almeida.
publicado por Praça Alta às 19:37
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