Quarta-feira, 30 de Março de 2005

O S. Roque

Ficou-me de criança a impressão de que a ermida do S. Roque, na margem esquerda do Côa, estava alcandorada num monte enorme e que ao sacrifício da subida se deveria a recompensa dos milagres.


 


Hoje, ao passar no IP 5, sobre a ponte rodoviária, surpreende-me lá em baixo uma capela exígua abandonada num pequeno cabeço, com a vegetação a apropriar-se da área da devoção e dos negócios. Onde está um chaparro negociava burros um cigano, onde a Lurdes começava às dez a aviar copos de meio quartilho, para terminar às 3 da tarde com o pipo e a paciência devastados, medram giestas e tojos e o abandono tomou conta do espaço onde estava sediada a feira e se realizava a festa.


 


Onde os solípedes e as pessoas alcançavam não sobem ainda os automóveis.


 


Eu gostei, ainda gosto, de romarias. Mesmo com milagres cada vez mais raros, a acontecerem na razão inversa dos louvores, encontramos sempre caras que atraem afectos e nos devolvem memórias. Às vezes não são quem pensámos, os anos passam, são filhos, mas vale a pena, falam-nos do que nós sabíamos, são da terra que julgámos.


 


Há mais de cinquenta anos o Rasga foi ao S. Roque com a mulher, ela cheia de fé, ele com muita sede, como sempre, até a cirrose o consumir. A feira e a romaria partilhavam a data e o espaço. Não sei das promessas dela, as mulheres lá tinham contratos com os santos, não era costume explicitá-los, ele tinha as mãos cheias de cravos, coisa de rapaz, julgava que era feitio. A mulher dissera-lhe que havia de ir ao S. Roque, o Maravilhas curou-se, o Ti Velho também, pelas outras aldeias ia a mesma devoção, os resultados eram de monta. O Rasga até tinha pensado no ferrador, não para ferrar o macho, ele queimava os cravos, mas eram grandes as dores, ficavam as mãos com marcas piores que a cara do Medo com as bexigas, e a febre, às vezes, levava a gente. Já se acostumara, não valia a pena ralar-se, o pior era a mulher a azucrinar-lhe os ouvidos, tens de ir ao S. Roque, se trabalhasses em vez de beberes havias de ver o incómodo, eu faço-te companhia, és um herege, uma oração, uma pequena esmola, dois cruzados, um quartinho no máximo, o S. Roque não é interesseiro, vens de lá bom, levas a burra que já mal pega em erva, enjeita os nabos, não temos feno, há-de morrer-nos em casa, além do prejuízo vais ser tu a enterrá-la, podias vendê-la.


 


E lá foram os três, que a burra também contava, partiram quando a Lurdes e a Purificação já levavam uma légua de avanço, tinham bestas lestas e levantavam-se cedo, era mister que se antecipassem aos homens que quando chegavam logo queriam matar o bicho e os negócios não podiam fazer-se sem haver onde pagar o alboroque. O Rasga, mal chegou, pediu três notas [E1] pela burra a um da Parada que lhe ofereceu duas, a mulher do da Parada ainda o puxou, homem para que queres a burra, o rachador do Monte meteu-se logo, isto não é assunto de mulheres, tinham que fazer negócio, tem que tirar alguma coisa, não tiro, dou-lhe mais uma nota de vinte, tiro-lhe essa nota, nem mais um tostão, e o do Monte a dizer racha-se, vários a apoiar, fica por duas notas e meia, o rachador a agarrar-lhes as mãos, estranha união, e a fazer com a sua um corte simbólico, deram as mãos estava feito o negócio, um tirou cinquenta o outro deu mais cinquenta, consumada a liturgia logo assomou meia nota de sinal, faltavam duas que apareceriam quando lhe entregasse o rabeiro, vai uma rodada, paga o vendedor que recebeu o dinheiro, primeiro um copo para o comprador, o rachador a seguir, depois para todas as testemunhas, outra rodada paga o comprador, outra ainda, esta pago eu, diz um da Cerdeira, não quero mais diz o de Pailobo, morra quem se negue, praguejou um da Mesquitela, olha vem ali o Proença da Malta, grande negociante, como está, disseram todos, uma rodada, pago eu, diz o Proença, mas a minha primeiro, exigiu o da Cerdeira com agrado geral,  e ali ficaram a seguir os negócios, os foguetes e a festa, e a tirar o chapéu e a agradecer ao Proença quando este foi dar a volta pelo sítio do gado onde já se encontrava o Serafim dos Gagos a disputar-lhe o vivo e a pôr a fasquia aos preços.


 


Findas a feira e a festa, esta terminou primeiro, um dos padres ainda tinha de levar o viático a um moribundo de Pínzio, o Rasga e a mulher vinham consolados, ela com a missa e a procissão, ele com duas notas e meia no bolso e o buxo cheio de vinho, ela a pensar na vida e ele a cambalear.


 


Algum tempo depois perguntei ao Rasga o que era feito dos cravos. Ficaram no S. Roque, menino, ficaram no S. Roque.      


 








 [E1] Nota – cédula de cem escudos ou “cem mil réis”.

publicado por Praça Alta às 01:00
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Domingo, 20 de Março de 2005

8.ª Feira Medieval em Castelo Mendo

castmendo.jpg

A Aldeia Histórica de Castelo Mendo, regressou ao passado com a realização da oitava edição da Feira Medieval. O evento ocorreu no dia 13, domingo, numa organização da Junta de Freguesia local, com o apoio da Câmara Municipal de Almeida, Associação de Desenvolvimento Raia Histórica e Escola Profissional de Trancoso.
Integrada nas comemorações do 776º aniversário da atribuição da Carta de Foral concedida à Vila de Castelo Mendo pelo Rei D. Sancho II, em 15 de Março de 1229, a Feira Medieval teve lugar fora da muralhas, na chamada Devesa, num espaço onde se realizavam as antigas feiras.

A Feira propriamente dita teve início logo pelas 9 horas, com a participação de vários "feirantes", que comercializaram pão caseiro, queijo, enchidos tradicionais e artesanato.
publicado por Praça Alta às 15:16
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Quinta-feira, 17 de Março de 2005

Biblioteca Municipal

biblioteca.jpg

Começou já a demolição das instalações do antigo Quartel dos Bombeiros de Almeida, com vista à construção da Biblioteca Municipal.
Conforme a imagem mostra, depois de "desfeita" a antiga esplanada, é agora a vez do edifício principal, que já se encontrava em adiantado estado de degradação, ameaçando mesmo as habitações vizinhas.
Mais um passo, que embora atrasado, vem ajudar a que Almeida procure entrar na "rota do desenvolvimento"
publicado por Praça Alta às 23:36
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Quarta-feira, 16 de Março de 2005

A Senhora do Monte

Nas aldeias da Beira Alta era hábito rezar, pelas intenções plenárias de cada mês, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, ir ao confesso e à eucaristia e, assim, alcançar as indulgências exigidas para a salvação da alma. Podia parecer injusto pôr garotos a rezar por pecados dos adultos, mas já se sabia que outros garotos o fariam quando adultos se tornassem esses para apreciar os pecados. Ficavam as rezas para as mulheres, que sempre as fariam, para os que ainda não sabiam pecar e para os que, sabendo, já não podiam. Era assim, há meio século, e disso se não livrou a criança que fui. Além das devoções locais outras havia que se cumpriam em paróquias próximas, que os transportes não permitiam lonjuras, com dia certo e local aprazado. A Senhora do Monte era um desses destinos.


Guardo da infância o gosto por romarias. Os santos domiciliavam-se no alto dos montes para ficarem a meio caminho entre os devotos que lhes pediam e o céu que os atendia. Eram mensageiros dedicados, imóveis numa peanha, ouvindo queixas, aceitando petições, a aliviarem o sofrimento. Raramente eram solicitados além das suas posses e, se soía, resignavam-se os mendicantes. Quanto mais perto do céu, maior respeito infundiam, mais petições recebiam, maiores expectativas geravam. Eu ficava a imaginar do que seriam capazes os que habitavam no cimo de montanhas muito altas, que sabia haver, sem cuidar das dificuldades de acesso dos requerentes.


Durante o ano, os santos concediam graças que eram agradecidas em Agosto com foguetes, missa e uma romaria profana que irritava os padres e alegrava os santos. Mas, de tanto pedirem, foi-se Deus cansando de os ouvir, primeiro, desinteressaram-se os crentes de implorar, depois, ou, talvez, a sangria da emigração converteu em deserto o terreno fértil da fé. É com saudade que recordo as ermidas abandonadas que outrora atraíam à sua volta feiras e procissões em confronto dialéctico do sagrado com o profano numa síntese admirável de que só o mundo rural era capaz.


A Senhora do Monte pertencia à paróquia da Cerdeira. Às vezes os santos tomavam as dores dos paroquianos e geravam a desconfiança dos vizinhos, mas não era o caso, por ser de concelho diferente e não haver rivalidades entre as paróquias.  


Saíamos da Miuzela do Côa, manhã cedo, descíamos a aldeia, passávamos pela capelinha de S. Sebastião, deixando à direita, encostada ao cemitério, a vinha do passal que, no tempo da República, Paulo Afonso comprou à autoridade administrativa, valendo-lhe a excomunhão eclesiástica, vingança do pároco que reclamava a vinha e o regresso da monarquia. Viveu o réprobo em paz, sem que o anátema o apoquentasse, até ao dia em que teve de pedir a desexcomunhão, para que o filho pudesse franquear o seminário, custando-lhe a canónica amnistia outra vez o valor da vinha.


À beira do caminho havia agricultores, inquietos com a romaria, a guardar os melões, que a rapaziada cobiçava, e, ao longe, entre giestas, lobrigavam-se cachopas, deambulando à espera do encontro apalavrado, talvez mesmo alguma coitanaxa aflita por tornar-se dona.


Íamos pela fresca e regressávamos tarde, de estômago menos vazio, com fritos e vinho a justificarem a jornada, esquecida a devoção, a tropeçar nas pedras em noites de lua nova. Atrás de nós via-se um clarão, vindo da Guarda, à distância de seis léguas, no alto do monte onde chegara a luz eléctrica, com a ermida de onde voltávamos perdida na escuridão da noite.


A Senhora do Monte há muito que não fazia um milagre de jeito mas tinha festa rija e um passado de respeito. Um dia o fogo subiu o monte impelido pelo vento e envolveu a capela, com gente aflita a orar. Abriram as portas e redobraram as orações, que em tempo de aflição se reza mais depressa para compensar a desatenção e acompanhar a ansiedade. Deixaram que a virgem visse o fogo e este a virgem. Foi então que as chamas baixaram e logo o fogo se deteve, enquanto, maravilha das maravilhas, prodígio nunca visto, começou o fogo a recuar e, à medida que a terra desardia, tornaram as plantas que a cobriam.


A Santa, por ter-se cansado ou perdido o jeito, renunciou aos milagres, mas os crentes não desistiram de a ver regressar ao ramo e fazer jus à glória antiga. Ainda assim, era muito solicitada por raparigas solteiras que lhe imploravam para as livrar da prenhez que em horas do demo pudessem ter contraído. Foi como contraceptivo de eficácia duvidosa que conheci a Senhora do Monte nos tempos em que calcorreei os caminhos que lá me levaram. 

publicado por Praça Alta às 23:23
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Novo Livro do Dr. Telmo Cunha

O Dr. Telmo Cunha acaba de publicar mais uma obra: A TEIA. Um romance com prefácio do Prof. Adriano Vasco Rodrigues e capa da pintora Guardense Evelina Coelho.
A sua compra pode ser efectuada nas livrarias da região ou contactando o Jornal Praça Alta através da morada - Bairro de São Francisco - 6350-324 ALMEIDA ou e-mail - associacao.almeida@oninet.pt

“A Teia” – um novo romance, tendo como cenário uma aldeia da nossa Beira Interior

No passado mês de Fevereiro, depois de alguns meses de espera, saiu o terceiro livro publicado pelo actual director do nosso jornal, Telmo Cunha, acontecimento já aflorado no “Praça Alta” do mês de Outubro, tendo então sido transcrito o prefácio do Dr. Adriano Vasco Rodrigues, antigo e muito estimado colaborador do nosso mensário e uma referência cultural da nossa região.
A acção do novo romance decorre numa pequena aldeia beirã, servindo esta como uma autêntica janela aberta sobre o quotidiano de uma vulgar comunidade humana, com os seus habituais problemas e dificuldades várias, que se podem considerar universais. A essência desta história poderia ter acontecido noutro qualquer recanto do planeta, pois o íntimo humano não se altera muito com a latitude. O título da obra, “A Teia”, simboliza precisamente o emaranhado de difíceis questões, nas quais acabam por tropeçar todos os seres humanos, procurando depois, cada qual, ao longo da vida, resolvê-las da melhor forma possível, tendo em conta as circunstâncias da época, do local e da personalidade das pessoas envolvidas.
Os personagens desta trama enredam-se assim nas malhas da ignorância, do medo, dos preconceitos, das superstições, do atraso cultural e espiritual, tornando penoso o seu caminhar. Perante esta milenar realidade, o Homem, ao longo dos tempos, tem lutado denodadamente no sentido de se desembaraçar de tão complexa e sufocante “teia”, procurando um amplo espaço de liberdade, no qual se sinta dono e senhor de si e, ao mesmo tempo, consiga compreender e dominar as situações mais árduas e dolorosas.
Todos sabemos como a ciência e a tecnologia têm mudado as condições de vida, tornando-a mais confortável e aprazível, como a mente humana tem sido escalpelizada e estudada ao pormenor, mas, apesar de todo este progresso, as grandes questões da intimidade do ser humano mantêm-se, sem evolução apreciável.
O drama do pequeno Mário e do Genito é conhecido desde a antiguidade; o triângulo edipiano é hoje, como ontem, um autêntico quebra-cabeças.
A Lídia luta por estabelecer um saudável diálogo entre o corpo e o espírito, duas realidades bem diferentes, que têm de conviver no mesmo espaço físico, tendo, quer uma, quer outra, percursos e objectivos desiguais, o que acaba por provocar diversos e intensos distúrbios. Assim dividida, a Lídia tem dificuldades em encontrar o companheiro ideal.
D. Filomena, sensível e intuitiva, procura orientar a jovem Lídia; a velha senhora recria as emoções da sua juventude através dos amores da vizinha, tentando libertar-se de alguns dos seus maiores “fantasmas”.
O António, fortemente dominado pelos sentidos, acaba por se deixar arrastar para uma existência conturbada e desastrosa.
Grande parte dos casais da aldeia coabitam verdadeiramente separados, ludibriados pelos numerosos equívocos que a sociedade humana tem cultivado ao longo dos tempos sobre o sexo.
Existem no entanto alguns caminhos de libertação. O Mário e a Lídia descobriram um deles, buscando aí a felicidade.
Nesta pequena comunidade, outros certamente seguirão o seu exemplo.
publicado por Praça Alta às 23:01
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romance.jpg
publicado por Praça Alta às 23:01
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Boas Vindas

Olá a todos. Como o próprio nome indica, este blog foi criado a pensar no jornal Praça Alta, da vila de Almeida. Pretendemos com ele, além de dar algumas notícias desta vila histórica, receber dos almeidenses espalhados pelo mundo notícias, ou pedidos que possamos eventualmente satizfazer. Para os que entenderem participar, aqui fica o nosso convite.
Armindo Pereira
publicado por Praça Alta às 19:13
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